A uma semana da sua reunião regular, a Opep não descartou nesta quinta-feira o que seria o terceiro corte de produção em três meses, com objetivo de colocar um fim ao colapso de preços mundiais do petróleo.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo está se esforçando para reduzir a produção de modo rápido o suficiente para manter a estabilidade de preços, diante da diminuição da demanda por combustível no Ocidente que levou o produto a se desvalorizar quase dois terços desde julho.
Após cortar dois milhões de barris por dia, ou 7,3% da sua produção nos últimos dois meses, a Opep agora está cautelosa para não demonstrar que está em pânico.
- O mercado está com excesso de oferta... Nós temos que ser pacientes, não devemos entrar em pânico - disse o secretário-geral do grupo, Abdullah al-Badri.
Antes da reunião de sábado, vários delegados da Opep disseram que o grupo de 12 países provavelmente iria avaliar os cortes feitos desde setembro, deixando a decisão acerca de uma nova redução para o próximo encontro em 17 de dezembro, na Argélia.
Mas Shokri Ghanem, diretor da delegação líbia, afirmou que outro corte imediato não deveria ser descartado, e alertou que os preços do petróleo poderiam cair ainda mais antes que se recuperassem.
- Nós primeiro temos que avaliar o consentimento e ver se temos que fazer alguma coisa. Todas as opções estão ali - declarou Ghanem.
- Os preços podem recuar ainda mais, mas temos esperança de que irão se recuperar - disse.
O Irã e a Venezuela, membros mais polêmicos da Opep, estão pressionando por um novo corte na produção. Caracas quer eliminar 1 milhão de barris por dia.
Delegados entre os produtores do Golfo discutem que outro corte na oferta pode ser politicamente inadequado para Opep durante a recessão.
No entanto, o argumento foi fragilizado pelo último dado de demanda por combustível dos EUA, que mostra que o grupo está bem abaixo do necessário para prevenir um excendente prejudicial nos estoques de petróleo, capaz de gerar novas quedas de preço.
- O colapso da demanda mensal norte-americana por petróleo não parece catastrófico - ponderou Antoine Halff, analista da corretora Newedge.
- Cortes previamente anunciados precisam ser completamente implementados e acompanhados por um outro grande corte - contrapôs David Hufton da PVM.