Ao invés do corte anunciado de 1 milhão de barris de petróleo por dia (bpd), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciou que vai reduzir sua produção real em 1,2 milhão bpd. A partir de 1º de novembro, a produção diária da Opep, de 27,5 milhões de barris/dia, cairá para 26,3 milhões. O cartel confirmou, nesta sexta-feira, que atual produção real é inferior à cota oficial de 28 milhões fixada pela Opep em julho de 2005. Segundo o ministro de Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, a Opep também analisou a possibilidade de fazer outro corte na produção, a partir de dezembro, que se somaria ao adotado nesta quinta.
- Sim, analisamos a possibilidade de que na próxima reunião da Opep, em 14 de dezembro, em Abuja, Nigéria, seja adotado um corte adicional na produção para elevar o nível dos preços a um valor justo para os países produtores - disse Ramírez à TV estatal venezuelana VTV.
Segundo o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Dhaen Al Hamli, com a decisão desta quinta "todos os países reduzirão sua produção". A parcela do corte que caberá a cada um dos dez membros da Opep envolvidos na medida será informada posteriormente no site da Opep, afirmou Al Hamli. A Opep tem 11 membros, mas o Iraque está fora do sistema de cotas.
Demanda em excesso
"A Organização dos Países Exportadores de Petróleo, que sempre zelou pelo equilíbrio do mercado, assistiu recentemente com preocupação a um superabastecimento", destaca o comunicado do cartel.
Antes da reunião, o ministro saudita do petróleo, Ali Al Nuaimi, não descartou a possibilidade de a Opep reduzir ainda mais sua produção.
- O que desejamos fazer é equilibrar o mercado. Hoje, há um desequilíbrio entre a oferta e a demanda, e nós estamos tentando levar o mercado a seu equilíbrio normal - disse Ali Al Nuaimi.
Segundo ele, o mercado estaria hoje com excesso de petróleo, e a retirada de circulação de um milhão de barris por dia levaria o nível de oferta ao da demanda mundial e reforçaria os preços do combustível. Os preços do petróleo têm caído desde que atingiram o recorde histórico de US$ 78 o barril no ano passado,. Atualmente, o preço do barril gira em torno dos US$ 60. Nesta quinta-feira, no New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do tipo "light sweet" para entrega em novembro ganhou 85 centavos, para fechar a US$ 58,50.
No IntercontinentalExchange de Londres, o Brent do Mar do Norte para entrega em dezembro subiu 1,29 dólar, a US$ 60,87.