Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

ONU vê possibilidade de eleições no Iraque em 2005

ONU vê possibilidade de eleições no Iraque em 2005

Terça, 24 de Fevereiro de 2004 às 10:02, por: CdB

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que as eleições para um governo permanente no Iraque poderiam ser realizadas no começo de 2005 se os preparativos começassem imediatamente. Em relatório divulgado pelo secretário-geral, Kofi Annan, e que será debatido pelo Conselho de Segurança nesta terça-feira, as Nações Unidas disseram que seriam necessários oito meses para organizar a eleição, após o estabelecimento de uma base legal.

- Se o trabalho começasse de imediato e se o consenso político fosse alcançado rapidamente seria possível realizar eleições até o final de 2004 - disse o relatório, divulgado na segunda-feira.

No entanto, o relatório, escrito pelo assessor de Annan Lakhdar Brahimi, que passou uma semana no Iraque neste mês, disse que provavelmente levará até maio para realizar todos os preparativos e no mínimo oito meses para organizar as eleições.

Brahimi pediu ``sem mais adiamento'' o estabelecimento de uma comissão eleitoral iraquiana ``autônoma e independente'' para começar a planejar as eleições para um governo permanente. O relatório não dá um modelo único para o tipo de governo interino que os iraquianos devem estabelecer quando os Estados Unidos entregarem o poder no dia 30 de junho.

O texto mostra várias opções, afirma que os iraquianos devem escolher uma com calma e oferece ajuda da ONU se for requisitada. Mas Brahimi, ex-ministro do Exterior da Argélia e que completou dois anos como enviado da ONU ao Afeganistão, deixou claro que será difícil chegar a um consenso.

- Depois de mais de três décadas de regime despótico, sem os elementos básicos dos regimes da lei, de uma economia arruinada, um país devastado, instituições estatais colapsadas, pouca vontade política de reconciliação e desconfiança entre alguns iraquianos, as condições no Iraque são assombrosas - escreveu.

Autoridades da ONU disseram que Brahimi provavelmente voltará no próximo mês para atuar como mediador, se for requisitado. Apesar de oferecer assistência, autoridades disseram que não esperam uma presença permanente da ONU no Iraque antes da transição de junho.

Annan retirou toda a equipe internacional do país em outubro, depois dos ataques contra a sede da organização em Bagdá.

ANNAN EM TÓQUIO

Em visita a Tóquio na terça-feira, Annan enfatizou ao parlamento japonês que a ONU precisa ser independente, e supostamente de Washington também.

- Ao assumirmos este trabalho, será essencial para as Nações Unidas ter uma identidade clara, separada - disse - O povo do Iraque e outros precisam nos ver pelo que somos, uma organização mundial independente e imparcial, sem outra agenda a não ser ajudar seu país em tempo de necessidade.

Com o governo Bush disposto a ceder o poder político aos iraquianos em 30 de junho, as Nações Unidas foram requisitadas a aconselhar sobre as eleições e o formato de um governo interino para que o processo tenha credibilidade internacional.

O relatório disse que o Conselho de Segurança das Nações Unidas, que se recusou a endossar a invasão do Iraque pelos EUA, precisa apoiar a ONU em ações futuras. A proposta original norte-americana era de realizar assembléias regionais e, através delas, escolher o governo iraquiano. Os líderes xiitas, no entanto, pediram eleições diretas. Brahimi disse que o plano das assembléias era impopular e inviável.

As opções que os líderes iraquianos sugerem, de acordo com o relatório, variam muito e vão desde a restauração da monarquia à conferência de chefes tribais para formar um governo ou a organização de uma conferência nacional para estabelecer um governo de transição com poderes limitados. Outra proposta é ampliar o atual Conselho de Governo, com 25 membros selecionados pelos EUA, para 150 a 200 membros.

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