A questão do meio ambiente global e as conseqüências do efeito estufa foram alvo de debate, na segunda-feira, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), que pretende indicar o caminho para um novo pacto mundial de prevenção e combate às mudanças climáticas. A reunião de líderes mundiais foi convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e antecede a abertura da nova Assembléia Geral, na qual a mesma temática receberá atenção especial.
Ao todo, delegações de 150 países foram convocadas para o encontro e a representante do Brasil, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi recebida pela manhã no local da reunião. Segundo o Itamaraty, em seu discurso, ela citará as iniciativas adotadas no país para conter o desmatamento, investir em fontes renováveis de energia e limitar as emissões de gases apontados como causadores do efeito estufa. A ONU espera que outros países façam o mesmo e apresentem propostas para conter um processo de degradação que altera a temperatura do planeta, ameaça a sobrevivência de populações costeiras e pode até mesmo transformar florestas em desertos.
O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, em inglês), divulgado em fevereiro, mostra que, se a emissão de gases poluentes seguir no mesmo ritmo, até o ano de 2100, a temperatura na Terra aumentará entre 1,8º C e 4º C, o que deve causar derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e intensos furacões.
- As nações estão dando sinais de que desejam buscar soluções. Esse encontro de hoje expressa um entendimento da mensagem dos cientistas. E mostra um senso de urgência para as negociações que precisam, necessariamente, de estratégias que não podem depender de limites territoriais. É importante que a gente pense em uma política de longo prazo e não fique restrito a antes de depois de Kyoto. Temos que reconhecer que Estados Unidos e Austrália, que não são parte do protocolo, fazem parte da convenção da ONU. De que forma esse novo pacto será feito, se em cima do protocolo ou de outra plataforma, é o que precisamos trabalhar para encontrar uma resposta até, no máximo, 2009 - disse a jornalistas o secretário-executivo da Convenção de Mudanças Climáticas da ONU (UNFCCC, sigla em inglês), Yvo de Boer.
Segundo Boer, as sugestões apresentadas esta semana serão levadas em dezembro para a Convenção de Mudanças Climáticas da ONU, em Bali, na Indonésia. Nessa convenção, devem ser definidas medidas sucessoras do Protocolo de Kyoto, que começa a vencer em 2012. Atualmente, o protocolo obriga 35 países industrializados a reduzirem em 5% suas emissões de gases em relação aos níveis de 1990. A meta deve ser alcançada até 2012. Grandes poluidores, como China e Estados Unidos, não seguem as recomendações do tratado.
Brasil assume papel de liderança
Primeira mulher a chefiar a missão brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU), a embaixadora Maria Luiza Viotti terá à sua frente o desafio de coordenar a apresentação das posições brasileiras no debate sobre o aquecimento global. Na avaliação dela, o Brasil está assumindo um papel de liderança nesse âmbito, graças a divulgação dos biocombustíveis como alternativa imediata para o combate às mudanças climáticas.
- Com a promoção das energias renováveis, o Brasil se colocou numa posição de liderança muito clara perante a ONU. Esse se tornou um elemento importante para a adoção de qualquer estratégia internacional - afirmou.
Em uma sala repleta de orquídeas, em Manhatan, a dez minutos da ONU, ela dissertou sobre as posições que o país deverá assumir:
- Em termos gerais, o Brasil defenderá um esforço em dois trilhos. Um deles é o reforço do Protocolo de Quioto, que estabelece metas de emissões de gases, e o outro é a ampliação dos estímulos e transferências de tecnologia alternativa para países em desenvolvimento que ainda estão em processo de expansão produtiva. O esforço de redução deve se concen