A China, ameaçada por uma bomba-relógio na forma de uma epidemia de Aids, deve romper o silêncio sobre a doença se quiser impedi-la de chegar a importantes áreas econômicas, como Guangdong e Xangai, afirmou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.
No passado recente, membros de grupos de combate à Aids foram pressionados ou presos por falarem sobre o problema. Mas o diretor executivo da Unaids, Peter Piot, afirmou ter havido uma "grande mudança" na forma como a China vem enfrentando a epidemia.
Segundo a ONU, a nova postura do governo chinês tornava menos provável o prognóstico de 10 milhões de chineses contaminados pela doença até 2010, conforme se alertou anteriormente.
"Romper o silêncio em torno da Aids dentro da sociedade chinesa" era um grande desafio, afirmou Piot à Reuters, em visita a Pequim. "Essa é uma epidemia ainda invisível, é uma epidemia sem um rosto."
Segundo dados oficiais, há no país 840 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV, que provoca a Aids. Dessas, cerca de 10 por cento apresentariam os sintomas da doença. Ativistas estimam que a epidemia esteja ainda mais disseminada, afirmando que mais de 1 milhão de pessoas podem estar contaminadas apenas na Província de Henan (região central).
Henan, que tem uma população de 95 milhões de pessoas, encontra-se em crise desde os anos 1990, quando planos de venda de sangue nas áreas rurais acabaram levando a doença para vilarejos inteiros.
Em um relatório divulgado menos de dois anos atrás, a ONU afirmou que o número de doentes na China poderia chegar aos 10 milhões em 2010 se o país não adotasse medidas de emergência no combate à Aids.
"Acho que isso ainda é possível, mas improvável, por causa da mudança de postura dos líderes do país," afirmou Piot.