Na abertura da Conferência da FAO - a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que 850 milhões de pessoas passam fome. Segundo ele, por causa da crise mundial de alimentos, esse número pode aumentar em 300 milhões.
- A produção alimentar tem de aumentar em 50% até 2030 para dar conta de uma demanda crescente - disse.
Ban Ki-Moon lembrou a importância dos programas de assistência alimentar, mas disse que políticas puramente assistenciais não vão resolver o problema da fome no mundo.
- Políticas puramente assistenciais não podem funcionar. Devemos eliminar mecanismos que provoquem a distorção da oferta de alimentos no mercado - afirmou. Ele invocou os países a agirem rápido.
Na mensagem do papa Bento XVI, lida pelo Cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, foi feito um pedido para superar a crise urgente.
"A má-nutrição não é mera fatalidade provocada por calamidades naturais. Envolve questões econômicas. O direito à alimentação é um direito primário, ligado à defesa da vida humana. Todos têm direito à vida e isso envolve o acesso aos alimentos", disse o papa, na nota.
O diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, lamentou que a crise alimentar fosse uma "catástrofe anunciada".
- Os recursos para financiar a produção agrícola diminuíram enquanto a população mundial aumentou. Os motivos já estão suficientemente explicados. O que é importante hoje é que é hora de agir. O mundo está numa situação perigosa - disse.