A raça humana deve chegar a 9,1 bilhões de pessoas em 2050, com as populações explodindo nos países em desenvolvimento e estagnadas nas nações ricas, previu a ONU (Organização das Nações Unidas) na quinta-feira.
O aumento de 2,6 bilhões de pessoas em relação à população atual é equivalente à combinação de todos os moradores da China e da Índia, de acordo com o relatório "Revisão 2004", da Divisão de População da ONU.
O crescimento populacional deve ser maior nos países que já têm dificuldades de alimentar seus moradores.
A tendência geral mostra uma taxa de crescimento menor se comparada à dos últimos 20 a 50 anos, confirmando estimativas anteriores que afirmavam que a população global está aumentando, mas lentamente se estabilizando.
"A população continua a crescer, mas num ritmo menor", disse Thomas Buettner, autor do relatório. "O planejamento familiar e a fertilidade menor fazem diferença."
Nos países ricos, a queda na natalidade resulta em pouco ou nenhum crescimento. A exceção é os Estados Unidos, que se beneficia de um número relativamente alto de imigrantes, que têm mais filhos na primeira geração.
Os países industriais como um todo devem ter poucas mudanças em sua população total, de 1,2 bilhão. Uma redução está prevista para Alemanha, Itália, Japão, Rússia e outros países da ex-União Soviética.
"Eles entraram em território desconhecido na história da humanidade", disse Haina Zlotnik, diretora da Divisão de População, numa entrevista coletiva. "A mortalidade está baixa, e a fertilidade está extremamente baixa."
As populações da Europa se reduziriam ainda mais se não fosse pelos imigrantes, disse o relatório.
Entre 2005 e 2050, a população deve triplicar no Afeganistão, em Burkina Faso, no Burundi, no Chade, no Congo, na República Democrática do Congo, no Timor Leste, em Guiné Bissau, na Libéria, em Mali, em Níger e em Uganda.
"Estes são os que não estão conseguindo oferecer alimentação e abrigo adequados para todos os seus habitantes", disse Zlotnik. "Se eles reduzissem a fertilidade, estariam ganhando tempo para enfrentar esses problemas."
Em todos esses países, pesquisas mostraram que as mulheres gostariam de ter menos filhos, se pudessem optar.
Em 2050, a Índia vai superar a China em população, e os dois países vão responder por metade dos habitantes do mundo, previu o documento.
A pandemia de Aids e outras doenças como a malária e a tuberculose estão desacelerando o aumento populacional em cerca de 60 países em desenvolvimento, afirmou o texto. No sul da África, principalmente na África do Sul, a Aids fez a expectativa de vida cair da média de 62 anos em 1990-1995 para 48 anos em 2000-2005. As previsões da ONU indicam que ela vá cair até 43 anos antes que comece a se recuperar.