ONU preocupada com prisão de jornalistas na Turquia
Alto Comissariado de Direitos Humanos disse que 'se há razões genuínas para se supor que os profissionais cometeram crimes, as mesmas devem ser apresentadas de forma transparente a todos.'
As Nações Unidas pediram ao governo da Turquia que assegure o direito à liberdade de imprensa no país. O apelo, nesta terça-feira, foi feito após relatos de prisões de jornalistas, que segundo o governo "estariam envolvidos numa conspiração para derrubar o gabinete".
O porta-voz do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville, disse que 'se existem razões genuínas para se suspeitar que os acusados cometeram crime, fora de sua esfera profissional, as mesmas devem estar claras'. Segundo o porta-voz deve haver transparência para os jornalistas, os advogados deles e todos.
Sigilo
Ele disse que existe um clima de sigilo em torno das investigações na Turquia. Segundo ele, enquanto a situação perdurar, haverá razões para se pensar que as prisões dos jornalistas têm motivação política.
No início deste mês, nove profissionais e escritores foram detidos pela polícia turca, acusados de "envolvimento numa conspiração". Eles foram interrogados pela polícia sob suspeita de que seriam membros da organização terrorista Ergenekon. A prisão dos jornalistas gerou manifestações de protesto na capital turca.
Os profissionais foram responsabilizados ainda por espalhar ódio e inimizade entra a população. No grupo de presos estão dois jornalistas famosos por suas críticas ao sistema penal e à polícia turca.
Um outro profissional detido é autor de um livro sobre a organização Ergenekon, investigações e julgamentos enfrentados pelo grupo. Seis funcionários da odaTVe, um site de oposição, também foram detidos, além de um professor universitário, e crítico do partido governista turco.
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