Nos quatro cantos do mundo, os preços dos alimentos deverão cair um pouco, em relação aos níveis recordes a que chegaram, atualmente, mas seguirão elevados durante pelo menos mais uns 10 anos. A previsão é da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), publicada em relatório sobre as perspectivas agrícolas mundiais no período 2008-2017, divulgado nesta quinta-feira.
"Uma vez que retrocedam de seus atuais níveis máximos, no entanto, os preços permanecerão em níveis médios maiores, a médio prazo, que na década passada", diz o estudo.
Cerca de 30 países da África, Ásia e Caribe têm vivido ondas de protesto devido à alta nos preços dos alimentos, nos últimos meses. No Haiti, país visitado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esta semana, uma série de violentas manifestações sacudiram o país. O Brasil, que mantém tropas da ONU na região, assinou uma série de acordos para ampliar a produção de alimentos na pequena nação caribenha.
Segundo a FAO, o estudo encontrou um "clima de crescente instabilidade dos mercados financeiros, uma inflação mais elevada dos preços dos alimentos, sinais de um enfraquecimento do crescimento econômico mundial e preocupações sobre a segurança alimentar. Os preços para a próxima década também podem ser mais voláteis do que no passado".
O documento também antecipa aumentos nos preços da carne de porco e de gado na ordem de 20%, entre 2008-2017 na comparação com 1998-2007. O açúcar branco e o mascavo subirão 30%, enquanto o trigo, o milho e o leite desnatado em pó terão alta de 40% a 60%. A manteiga mais de 60% e os óleos vegetais mais de 80%.
"Os pobres, e sobretudo os pobres urbanos em países em desenvolvimento importadores de alimentos, sofrerão mais. Precisamos de mais ajuda humanitária para reduzir o impacto dos elevados preços nos países muito pobres", advertem a FAO e a OCDE, prevendo novos levantes da população nos países menos desenvolvidos.