A Organização das Nações Unidas (ONU) precisa aumentar e melhorar os esforços de coordenação para ajudar a combater ameaças como a mudança climática, o desflorestamento ou a pesca predatória, disseram dois especialistas nesta quinta-feira.
O sistema de agências ambientais e tratados do mundo é "desconcertante" e embora os esforços do organismo internacional sejam consideráveis, eles estão difusos por existirem muitas organizações vendo um aspecto ou outro, disseram especialistas.
– Existe uma necessidade urgente de uma organização ambiental dentro do sistema da ONU com a influência de realizar mudanças e de se postar lado a lado com organizações fortes como a Organização Mundial do Comércio e a Organização Mundial da Saúde –, disseram os ministros do Meio Ambiente da Itália, Stefania Prestigiacomo, e do Quênia, John Michuki.
Os dois ministros presidem um grupo que está estudando a reforma da ONU na questão ambiental.
– Crises ambientais mundiais, do desaparecimento da biodiversidade à degradação das florestas e do colapso dos estoques de peixes à mudança climática não serão resolvidos sem uma reflexão dura sobre a regulamentação internacional –, escreveram em um artigo.
Eles não propuseram nenhuma agência específica para esse papel, mas, no sistema da ONU, a principal autoridade hoje é o Programa Ambiental (Unep) baseado em Nairóbi, embora seu orçamento, pelos padrões da entidade, sejam baixos, em torno de US$ 200 milhões por ano.
Enquanto isso, os esforços para combater o aquecimento global estão sendo administrados pelo Secretariado de Mudança Climática da ONU em Bonn, na Alemanha. Entre outros, o secretariado pela proteção da diversidade biológica está em Montreal e outro, para o comércio selvagem, fica em Genebra.
– Um estudo independente recente estimou que os custos de manter secretariados separados é quatro vezes maior em comparação com organizações que mantêm todos os seus tratados relacionados sob um único teto –, escreveram os ministros.
O grupo liderado por Prestigiacomo e Michuki está reunido em Roma nesta semana para rever opções. Eles devem levar as conclusões ao Unep no início de 2010.
Em setembro, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, também escreveram uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedindo uma revisão antes de uma conferência sobre o clima da ONU na Dinamarca, em dezembro.
– Precisamos fazer uso do momentum fornecido por Copenhague para obter um progresso maior em direção à criação de uma Organização Ambiental Mundial –, escreveram. A cúpula de 7 a 18 de dezembro tem por objetivo chegar a um novo acordo da ONU para combater o aquecimento global.
Algumas tentativas de reforma no passado fracassaram, em parte porque alguns acham que revistar o sistema poderia desviar a ação contra os problemas ambientais. Em 2007, o ex-presidente francês Jacques Chirac obteve apoio de 49 nações para uma nova organização ambiental. Mas EUA, Rússia e China não assinaram o documento.