Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

ONU pede US$ 272 milhões para vítimas do terremoto

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez nesta terça-feira um apelo por US$ 272 milhões para os sobreviventes do terremoto do norte do Paquistão. O número de vítimas do tremor pode chegar a 40.000, dizem especialistas em ajuda, o que ultrapassaria o das vítimas da cidade iraniana de Bam, há dois anos.(Leia Mais)

Terça, 11 de Outubro de 2005 às 10:29, por: CdB

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez nesta terça-feira um apelo por US$ 272 milhões  para os sobreviventes do terremoto do norte do Paquistão. O número de vítimas do tremor pode chegar a 40.000, dizem especialistas em ajuda, o que ultrapassaria o das vítimas da cidade iraniana de Bam, há dois anos.

O apelo da ONU tem o objetivo de cobrir as necessidades de assistência na devastada região da Caxemira -- barracas de inverno, alimento, cobertores, remédios, equipamento de purificação de água e outros -- assim como para a reconstrução de algumas escolas.

- O apelo é para cobrir as necessidades imediatas para salvar vidas e iniciar a recuperação, apenas para os primeiros seis meses da fase de emergência - disse Yvette Stevens, coordenadora-assistante de socorro de emergência, numa coletiva de imprensa em que foi feita a chamada por ajuda.

- Em termos de reconstrução, a nossa expectativa é que as necessidades serão muito maiores - acrescentou. O número de mortes causadas pelo terremoto de sábado no norte do Paquistão e da Índia está em pelo menos 21.000 pessoas, mas estima-se que pode ser o dobro, já que grandes partes da região continuam inacessíveis porque as estradas foram destruídas por deslizamentos de terra.

Stevens disse que o número de vítimas é de pelo menos 30 mil e que 4 milhões de pessoas foram afetadas, entre elas 1 milhão que está em necessidade extrema. A ONU e a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho -- a maior rede mundial de socorro em caso de desastres -- enviaram à região especialistas em logística, abrigo, saúde, água e saneamento e coordenação de socorro.

- Tememos que pelo menos 40.000 pessoas tenham morrido. Isso significa que foi pior que o terremoto de Bam - disse Sian Bowen, porta-voz da Federação, numa coletiva anterior, confirmando previsões feitas por autoridades da Caxemira paquistanesa e da Província da Fronteira do Noroeste.

- Tememos que a situação possa piorar muito - acrescentou. Um terremoto de magnitude 6,8 ocorrido na histórica cidade de Bam, cerca de 1.000 km a sudeste de Teerã, em 26 de dezembro de 2003 matou quase 31.000 pessoas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou preocupação com a possibilidade de surgimento de doenças entre os sobreviventes, que estão amontoados em locais sem água limpa e saneamento. Muitos hospitais e centros de saúde foram destruídos, e médicos e enfermeiros, mortos.

- Teme-se uma explosão de doenças como a cólera e disenteria - disse a jornalistas a porta-voz da OMS, Fadela Chaib. O sarampo, que pode ser fatal para crianças, é endêmico na região, onde apenas 60 por cento das crianças foram vacinadas, segundo a agência de saúde da ONU. É preciso uma imunização de pelo menos 90% para evitar uma epidemia de sarampo.

Damien Personnaz, do Fundo para a Infância da ONU (Unicef), lembrou que a metade da população da região tem menos de 16 anos.

- Sem dúvida as crianças são as principais vítimas da tragédia - afirmou.

Até 15 escolas nas proximidades de Muzaffarabad, principal cidade da Caxemira paquistanesa, e Mansehra, foram destruídas, esmagando um grande número de crianças que assistiam aulas, acrescentou.

O Programa Mundial de Alimentos, outra agência da ONU, estava enviando na terça-feira o suprimento para cinco dias de biscoitos com grande teor de energia para 240.000 pessoas, disse o porta-voz Simon Pluess. A agência está em condições de alimentar 1 milhão de pessoas por um mês, caso isso seja requisitado pelo Paquistão.

A agência para refugiados da ONU recebeu relatos de que alguns refugiados afegãos estavam entre os mortos, segundo o porta-voz Ron Redmond. Cerca de 45.000 afegãos estão registrados em quatro campos na região.

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