O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, pediu aos países doadores que forneçam US$ 2,6 bilhões para ajudar na reconstrução do sul do Sudão, após décadas de guerra civil.
- Nas últimas três décadas, pelo menos na metade dos casos de acordo de paz, as partes voltaram à guerra num período de até cinco anos - afirmou Annan em uma conferência sobre o assunto na capital norueguesa, Oslo.
- Nós estamos reunidos porque sabemos que a superação dos obstáculos à frente do Sudão vão exigir o compromisso sincero e total de todas as partes, assim como o contínuo apoio da comunidade internacional - político, moral e financeiro - concluiu.
O secretário-geral da ONU disse que o dinheiro é necessário, com urgência, para ajudar o reassentamento de centenas de milhares de refugiados. Segundo ele, a ajuda não pode ser condicionada ao fim do conflito na região de Darfur, no oeste do Sudão, onde, disse Annan, continuam a ser praticados graves abusos.
Os Estados Unidos e outros doadores indicaram que desejam oferecer ajuda, mas afirmam que só é possível paz duradoura no sul do Sudão se a violência em Darfur também acabar. O acordo de paz no sul do país, que pôs fim a 21 anos de guerra civil, foi assinado em janeiro.
Norte x Sul
O conflito, a guerra civil mais duradoura da África, envolveu os muçulmanos do norte contra cristãos e animistas do sul, contrários à introdução da lei islâmica na região. Cerca de 2 milhões de pessoas morreram. Excluindo-se um período de 11 anos (entre 1972 e 1983), o Sudão tem estado em guerra continuamente desde a sua independência, em 1956.
Em 1983, o governo, dominado por árabes no norte, tentou impor a lei islâmica em todo o Sudão, inclusive em áreas onde a maioria da população não é muçulmana.
Isto alimentou uma rebelião. O Exército Popular de Libertação do Sudão nunca deixou claro que lutava pela autonomia do sul dentro do país ou por independência.
Em Darfur, a milícia Janjaweed, é acusada de matar e estuprar moradores locais e de forçar dois milhões de pessoas a deixarem suas casas. O governo sudanês nega ligações com a milícia Janjaweed, mas admite ter armado alguns milicianos.