A ONU fez nesta quarta-feira um apelo de emergência aos países doadores para arrecadar 69 milhões de dólares para atenuar durante os próximos seis meses a grave crise humanitária que sofre a Libéria.
— A lógica desta chamada de emergência é simples: sem uma ação urgente, muito mais gente perderá a vida — disse o secretário -geral, Kofi Annan, em uma mensagem que dirigiu aos países doadores em apoio à campanha para arrecadar fundos.
Ele acrescentou que a doação será encaminhada a reduzir a desnutrição, assim como restituir as provisões de alimentos, água potável, oferecer moradia aos deslocados, serviços de saúde e proteção dos direitos humanos.
— Os liberianos devem perceber que não estão sós em seus esforços para buscar a paz e o desenvolvimento — especificou.
Com os fundos arrecadados se tentará cobrir as necessidades básicas de um milhão de homens, mulheres e crianças que são parte dos 3 milhões de habitantes da Libéria.
Carolyn McAskie, coordenadora adjunta para Assistência Humanitária da ONU, insistiu em uma entrevista coletiva que o volume do pedido foi revisado, de um primeiro feito no começo do ano, devido à grave deterioração da situação humanitária que alcançou proporções catastróficas.
— Se pudemos juntar 2 bilhões para o Iraque, estou convencida que obteremos os 69 milhões de dólares — destacou.
McAskie lembrou que no primeiro chamado para ajudar a população liberiana se pediam 42 milhões de dólares e que só se arrecadou 22 por cento, o que representa 10 milhões de dólares.
No entanto, mostrou-se otimista, já que no lançamento nesta quarta da campanha participaram aproximadamente cinqüenta de países da comunidade doadora, assim como representantes de nações africanas e organizações não-governamentais.
— As vezes é difícil conseguir fundos para causas humanitárias em países onde a população está totalmente desligada de seu governo, como é o caso da Libéria e do Burundi — disse McAskie.
A Alemanha é o único país que por enquanto se comprometeu a aportar 2 milhões de euros adicionais para assistir a Libéria, enquanto que os EUA, Canadá, Itália reiteraram o compromisso que adotaram quando se fez o primeiro apelo.
Entre os maiores contribuintes se encontram os EUA, que destinaram milhões de dólares para o país africano através do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
— A decisão dos governos para doar recursos depende do orçamento, de se organizações não-governamentais de seu país estão colaborando, assim como de decisões políticas de alto nível como foi no caso das contribuições humanitárias a Kosovo, Afeganistão e Iraque — disse McAskie.
Por sua vez, o enviado especial do secretário-geral na Libéria, Jacques Klein, disse que o acesso continua sendo o maior problema para a distribuição de ajuda, apesar que já chegou o primeiro batalhão das forças da Comunidade Econômica de Estados de África Ocidental (Cedeao).
— Há algumas zonas na Libéria onde as agências humanitárias não tiveram acesso durante anos, e outras que foram fechadas recentemente como são as áreas fronteiriças com a Guiné e Costa do Marfim — indicou.
Neste sentido, agradeceu o trabalho "heróico" do pessoal das organizações humanitárias e das agências da ONU que operaram no local até que foram evacuadas recentemente.
ONU pede 69 milhões para atenuar crise humanitária na Libéria
Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 14:03, por: CdB