Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

ONU pede 69 milhões para atenuar crise humanitária na Libéria

Quarta, 06 de Agosto de 2003 às 14:03, por: CdB

A ONU fez nesta quarta-feira um apelo de emergência aos países doadores para arrecadar 69 milhões de dólares para atenuar durante os próximos seis meses a grave crise humanitária que sofre a Libéria.

— A lógica desta chamada de emergência é simples: sem uma ação urgente, muito mais gente perderá a vida — disse o secretário -geral, Kofi Annan, em uma mensagem que dirigiu aos países doadores em apoio à campanha para arrecadar fundos.

Ele acrescentou que a doação será encaminhada a reduzir a desnutrição, assim como restituir as provisões de alimentos, água potável, oferecer moradia aos deslocados, serviços de saúde e proteção dos direitos humanos.

— Os liberianos devem perceber que não estão sós em seus esforços para buscar a paz e o desenvolvimento — especificou.

Com os fundos arrecadados se tentará cobrir as necessidades básicas de um milhão de homens, mulheres e crianças que são parte dos 3 milhões de habitantes da Libéria.

Carolyn McAskie, coordenadora adjunta para Assistência Humanitária da ONU, insistiu em uma entrevista coletiva que o volume do pedido foi revisado, de um primeiro feito no começo do ano, devido à grave deterioração da situação humanitária que alcançou proporções catastróficas.

— Se pudemos juntar 2 bilhões para o Iraque, estou convencida que obteremos os 69 milhões de dólares — destacou.

McAskie lembrou que no primeiro chamado para ajudar a população liberiana se pediam 42 milhões de dólares e que só se arrecadou 22 por cento, o que representa 10 milhões de dólares.

No entanto, mostrou-se otimista, já que no lançamento nesta quarta da campanha participaram aproximadamente cinqüenta de países da comunidade doadora, assim como representantes de nações africanas e organizações não-governamentais.

— As vezes é difícil conseguir fundos para causas humanitárias em países onde a população está totalmente desligada de seu governo, como é o caso da Libéria e do Burundi — disse McAskie.

A Alemanha é o único país que por enquanto se comprometeu a aportar 2 milhões de euros adicionais para assistir a Libéria, enquanto que os EUA, Canadá, Itália reiteraram o compromisso que adotaram quando se fez o primeiro apelo.

Entre os maiores contribuintes se encontram os EUA, que destinaram milhões de dólares para o país africano através do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

— A decisão dos governos para doar recursos depende do orçamento, de se organizações não-governamentais de seu país estão colaborando, assim como de decisões políticas de alto nível como foi no caso das contribuições humanitárias a Kosovo, Afeganistão e Iraque — disse McAskie.

Por sua vez, o enviado especial do secretário-geral na Libéria, Jacques Klein, disse que o acesso continua sendo o maior problema para a distribuição de ajuda, apesar que já chegou o primeiro batalhão das forças da Comunidade Econômica de Estados de África Ocidental (Cedeao).

— Há algumas zonas na Libéria onde as agências humanitárias não tiveram acesso durante anos, e outras que foram fechadas recentemente como são as áreas fronteiriças com a Guiné e Costa do Marfim — indicou.

Neste sentido, agradeceu o trabalho "heróico" do pessoal das organizações humanitárias e das agências da ONU que operaram no local até que foram evacuadas recentemente.

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