Cerca de 25 milhões de pessoas no mundo todo foram obrigadas a abandonar suas casas - para fugir de conflitos ou por ação dos governos - e agora vivem em outras regiões de seu país, informou nesta quarta-feira um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Só em 2003 cerca de 3 milhões de pessoas tiveram de sair de casa, a maioria na África. A maioria é vítima de desrespeito aos direitos humanos.
"A 'expatriação interna' é uma das grandes tragédias atuais, com milhões de pessoas sendo obrigadas a fugir anualmente da guerra e da violência, dentro do próprio país", disse o secretário-geral do Conselho de Refugiados da Noruega, Raymond Johansen.
O relatório afirma que a chamada "guerra contra o terror" promovida pelos Estados Unidos piorou a situação, por encorajar os governos a buscarem soluções militares para conflitos e "minar o respeito por padrões internacionais humanitários e de direitos humanos".
"Classificar grupos rebeldes como 'terroristas' permitiu a vários regimes intensificar campanhas de repressão, atrair ajuda militar estrangeira e evitar as críticas internacionais de desrespeito aos direitos humanos de civis", disse o conselho.
Segundo Johansen, o levantamento mostrou que "as vítimas de 'expatriação interna' muitas vezes não podem contar com seus governos para protegê-las ... e em muitos casos os próprios governos são responsáveis pelo deslocamento forçado de seus cidadãos".
Estatísticas
Entram na caracterização de pessoas internamente deslocadas (IDPs) aquelas que permanecem dentro das fronteiras de seu país - muitas vezes vivendo em acampamentos improvisados - depois de fugir de conflitos. Isso ocorre em 52 países. O Brasil não faz parte da lista.
As pessoas que fogem para outros países são chamadas de refugiados. A agência da ONU para refugiados, a Acnur, diz que há cerca de 20 milhões de pessoas nessa situação no mundo, sendo que a maioria também está na África.
Segundo o relatório do conselho, o Sudão tem o maior número de ''expatriados internos'', num total de 4 milhões. A República Democrática do Congo e a Colômbia têm 3 milhões cada, e Uganda, Iraque e Burma têm 1 milhão cada uma.
Mais de um terço de todos os "refugiados internos" estão em condições desesperadoras, com a vida constantemente em risco por causa da proximidade de conflitos armados ou pelas péssimas condições em que vivem.