Rio de Janeiro, 18 de Março de 2026

ONU: Líbano enfrenta ameaça de golpe

O assassinato do político libanês Pierre Gemayel pode ser a "primeira jogada" em um golpe contra o governo do Líbano, na opinião do embaixador norte-americano na Organização das Nações Unidas (ONU), John Bolton. Bolton afirmou que as recentes investigações sobre assassinatos políticos no Líbano sugerem o envolvimento da Síria. Ele disse que se a Síria estiver mesmo envolvida, as implicações são sérias. (Leia Mais)

Sábado, 25 de Novembro de 2006 às 07:36, por: CdB
O assassinato do político libanês Pierre Gemayel pode ser a "primeira jogada" em um golpe contra o governo do Líbano, na opinião do embaixador norte-americano na Organização das Nações Unidas (ONU), John Bolton.

Bolton afirmou que as recentes investigações sobre assassinatos políticos no Líbano sugerem o envolvimento da Síria. Ele disse que se a Síria estiver mesmo envolvida, as implicações são sérias.

Este sábado é o segundo dia de greve no Líbano em protesto à morte de Gemayel.

Muitos lojas fecharam na sexta-feira. Os comerciantes disseram que esperavam que a ação fizesse com que o Líbano se aproximasse de um "diálogo nacional" e afastasse as ameaças de divisão e manifestações nas ruas.

Gemayel, um cristão-maronita que era o ministro da Indústria, foi morto a tiros em seu carro em um bairro cristão de Beirute na terça-feira.

Muitos libaneses acusam a Síria de tramar a morte do político de 34 anos, mas a o governo sírio nega qualquer participação.

'Golpe'

Bolton disse que o assassinato de Gemayel pode ser parte de um golpe mais amplo.

- Há algumas semanas, a Casa Branca, em uma ação sem precedentes, disse que a Síria e o Irã, agindo através do Hezbollah, estavam à beira de dar um golpe contra o governo do Líbano, eleito democraticamente, e eu gostaria de dizer que o assassinato de Pierre Gemayel pode ser a primeira jogada neste golpe - afirmou.

Ele disse ainda que não quer antecipar nenhuma conclusão das investigações sobre a morte de Gemayel, mas afirmou que provas de envolvimento da Síria irão mostrar que o país "não apenas apóia o terrorismo, mas é um Estado que age da mesma maneira que os terroristas".

- Eu acho que os Estados Unidos têm que levar isso em consideração quando decidir se e de que forma irá lidar com um país como esse - disse.

Segundo informações de pessoas em Washington, os Estados Unidos estão em um dilema diplomático. Parece cada vez mais provável que uma equipe formada para aconselhar sobre uma futura estratégia para o Iraque irá sugerir a participação da Síria para criar uma solução a longo prazo.

Mas a morte de Gemayel teria feito com que esses planos fiquem cada vez mais difíceis.

O gabinete libanês deve se reunir neste sábado para votar um plano da ONU para formar um tribunal internacional para julgar os acusados pela morte do ex-primeiro-ministro, Rafiq Hariri.

A Síria foi acusada de envolvimento na morte de Hariri, mas nega participação.

Tensão

Correspondentes dizem que acredita-se que o gabinete irá aprovar a formação do tribunal, o que poderá aumentar a tensão com os grupos pró-Síria.

No início do mês, seis ministros pró-Síria renunciaram, dizendo que eles queriam uma participação maior no governo.

A morte ou renúncia de mais dois ministros poderia provocar a queda do governo.

Enquanto isso, o Conselho de Segurança aceitou um pedido do governo libanês para investigar a morte de Gemayel.

Segundo correspondentes, o governo acusa o Hezbollah de explorar a atual situação no país para tentar bloquear a formação do tribunal da ONU para julgar os acusados pela morte de Hariri.

Grupos pró-Síria já disseram que os planos da ONU vão contra a constituição libanesa.

Em 2005, após grande pressão internacional, a Síria retirou tropas do Líbano depois de 29 anos de influência militar e política no país.

Tags:
Edições digital e impressa