Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026

ONU: Gadafi perdeu a legitimidade

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o líder líbio, coronel Muamar Gaddafi, perdeu legitimidade após ter usado armamentos pesados para combater civis do seu país, mas afirmou que o destino do governante deve ser decidido pelo povo.

Sexta, 25 de Março de 2011 às 10:51, por: CdB
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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse  que o líder líbio, coronel Muamar Gaddafi, perdeu legitimidade após ter usado armamentos pesados para combater civis do seu país, mas afirmou que o destino do governante deve ser decidido pelo povo. – O coronel Gaddafi, ao matar seu próprio povo indiscriminadamente, perdeu a sua legitimidade –, disse Ban. – Se ele deve sair ou ser substituído por outras pessoas, isto deve ser decidido e determinado pelo povo líbio. Embora vários governos da região tenham recorrido a meios violentos para reagir aos protestos dos civis, Ban afirmou que foi o uso desmedido da força por parte das tropas de Gaddafi que levou a ONU a intervir na Líbia. – O coronel Gaddafi tem usado todos os meios militares para matar o seu próprio povo, usando aviões, artilharia pesada e tanques – disse. – Enquanto nós condenamos os líderes em outras regiões onde muitas populações civis foram mortas, nós pedimos a eles que exerçam máxima moderação e cautela para proteger vidas humanas. Mas no caso líbio, Gaddafi tem matado muitas pessoas com artilharia pesada. O secretário-geral negou que a remoção de Gaddafi fosse o principal motivo da intervenção militar internacional. – O objetivo principal é proteger a população civil. (A intervenção) não está visando mudar o regime ou atingir o coronel Gaddafi ou outra pessoa específica –, afirmou. Para Ban, a ação internacional na Líbia pode criar um ambiente político que leve a uma discussão sobre mudanças no regime. – Ao realizar ações militares na Líbia, isto pode criar uma cerca atmosfera política, onde o povo líbio pode discutir seu próprio futuro, incluindo seu líder. Ban acredita que a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, impondo uma zona de exclusão aérea na Líbia e autorizando ações militares contra posições do governo, está sendo eficiente. – Eu acho que a resolução provou ser muito efetiva. Ela impediu novas agressões, pelas autoridades líbias e foi capaz de proteger os civis em Benghazi e em algumas outras áreas. Mas temos que ver. Eu acredito que a superioridade do poder militar vai prevalecer –, afirmou ele. Cessar-fogo Na quinta-feira, no plenário da ONU, o secretário-geral afirmou que não há indícios de que o regime líbio tenha instituído o cessar-fogo, como tinha sido anunciado anteriormente. – Autoridades líbias têm alegado repetidamente que instituíram um cessar-fogo, inclusive em uma ligação que recebi do primeiro-ministro da Líbia, em 19 de março. Nós não vimos evidências de que este é o caso –, afirmou. – Eu espero que a comunidade internacional continue a exercer total aplicação para evitar mortes de civis e danos colaterais na Líbia. Otan O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, anunciou na quinta-feira que a aliança vai assumir o controle da ofensiva militar internacional na Líbia. Segundo Rasmussen, os 28 países que integram a organização concordaram em agir para frear os ataques contra opositores pelas forças de Khadafi. A mudança do comando pode ocorrer já neste fim de semana. O novo acordo permitirá que as forças da Otan coordenem os diferentes elementos da operação – o embargo a armas, o monitoramento da zona de exclusão aérea e as ações militares para proteger os civis. Fontes diplomáticas afirmaram que seria uma estrutura semelhante à que opera no Afeganistão atualmente.
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