A ONU (Organização das Nações Unidas) completa 60 anos de existência nesta segunda-feira sem o vigor e o idealismo do passado, mas com expectativa de que a experiência e uma reflexão da meia-idade tragam um novo propósito.
No ano passado, a organização iniciou sua reforma, depois que seu secretário-geral, Kofi Annan, disse que o órgão estava em uma "encruzilhada".
Havia um entendimento de que, sejam quais fossem os problemas passados, a ONU tinha que ser aprimorada no futuro.
"Indispensável" é a palavra que o ex-embaixador britânico na ONU, David Hannay, usa para qualificar a organização.
"Quando montanhas desmoronam no Paquistão ou um tsunami varre o mundo, todo mundo pergunta: 'Onde está a ONU?'", disse ele. "A invasão do Iraque em 2003 mostrou a falência de qualquer alternativa."
"O unilateralismo não demonstrou ser uma política muito brilhante, para dizer o mínimo. Se a alternativa à ONU não é viável, então precisamos fazer com que esta organização funcione melhor."
"Nos Estados Unidos, as pessoas estão começando a achar que o Iraque está se tornando um problema mais ou menos como foi o Vietnã. Candidatos à presidência americana nas eleições de 2008 não vão querer os soldados lá."
Segundo Hannay, os Estados Unidos podem tentar dizer que tiveram algum sucesso na área, mas "certamente vão ter que concluir que não poderão fazer isso de novo".
Esta, claro, não é a visão do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Em discurso na Assembléia-Geral, em setembro do ano passado, Bush disse que seu país e seus aliados tinham na prática apoiado a ONU quando invadiram o Iraque.
"O ditador (Saddam Hussein) concordou em 1991, como condição para um cessar-fogo, com o total cumprimento de todas as resoluções do Conselho de Segurança, e depois ignorou mais de uma década de resoluções. No final, o Conselho de Segurança prometeu sérias conseqüências por esse desafio (às resoluções)."
"E os compromissos que assumimos têm que ter significado. Quando dizemos 'sérias conseqüências', em nome da paz tem que haver conseqüências sérias. E então uma coalizão de nações fez valer exigências justas do mundo", declarou ele.
Seja qual for o julgamento da história sobre a guerra do Iraque, foi, de acordo com David Hannay, o fim da Guerra Fria que deu à ONU a chance de uma "segunda vida".
"Depois que a Guerra Fria acabou, o inconcebível se tornou concebível", disse ele.
"Antes disso, a ONU poderia pensar apenas em sua sobrevivência. Não podia impedir uma guerra entre os superpoderes ou guerras entre seus satélites. Fez um trabalho útil aqui e ali. Mas isto não era o que foi criada para fazer."
O que ela foi criada para fazer é basicamente impedir todas as guerras futuras.
O idealismo original foi expressado pelo embaixador britânico nos Estados Unidos, Edward Wood, que apresentou o último esboço da Carta da ONU aos delegados presentes a uma reunião na cidade americana de São Francisco. "Esta questão sobre a qual estamos na iminência de votar é tão importante quanto qualquer outra que votaremos no futuro."
A carta foi aprovada por unanimidade e até os jornalistas se levantaram para aplaudir.
Mas há dúvida sobre se o idealismo foi realmente tão forte ou universal. Desde o início, os vitoriosos da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha, França e China, insistiram que deveriam ter poder de veto.
Eles estavam determinados a não permitir qualquer ação ou intervenção sobre a qual discordassem seriamente e, durante toda a Guerra Fria, esta foi a receita para a paralisação da ONU.
A única exceção foi a Guerra da Coréia, que o Conselho de Segurança lançou para impedir que o Norte conquistasse o Sul. O conselho só pode agir por causa da ausência da União Soviética, que boicotava o conselho em um momento de briga sobre quem deveria representar a China. Assim que voltou, não tornou a cometer o mesmo e