O governo da Colômbia sancionou na sexta-feira (10), com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma lei que prevê compensações e devoluções de terra a milhões de vítimas dos conflitos internos colombianos. A chamada "Lei de vítimas e restituição de terras" prepara terreno para fazer justiça a cerca de 4 milhões de pessoas que sofreram com o conflito armado colombiano.O texto, sancionado na semana anterior pelo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, prevê o pagamento de indenizações a parentes de vítimas de guerrilhas, grupos paramilitares e agentes das forças de segurança, além da restituição de terras a pessoas deslocadas por conta dos conflitos. Para Santos, trata-se de uma legislação "histórica".
Mas, segundo Ban Ki-moon, é preciso garantir efetividade na implementação da norma. "Só uma boa lei não é suficiente. Ela deve ser posta em prática de forma efetiva e transformadora", afirmou o dirigente da ONU. Na opinião de Ban, "o mais importante é que o Estado assuma sua responsabilidade e a sociedade civil o apoie na tarefa de restituir a terra aos mais de 3,5 milhões de deslocados e às mais de 500 mil pessoas vitimadas pela violência" colombiana.
O secretário-geral da ONU frisou que, ao sancionar a lei, a Colômbia põe em prática uma resolução das Nações Unidas de 2006, que determina que os Estados devem se responsabilizar por grandes violações do direito humanitário internacional. Ban ressaltou que o reconhecimento das vítimas deve beneficiar ainda membros dos grupos armados. "As crianças que são recrutadas pela guerrilha não podem ser esquecidas. A elas também cabe restituição", apontou.
Ban começou seu giro pela América Latina pela Colômbia e deve visitar em seguida a Argentina e o Brasil. Ele foi "testemunha de honra" da assinatura da lei, realizada em evento no final da tarde (horário local) de sexta-feira no palácio presidencial colombiano.
Paz interna
Em discurso logo após a sanção, Santos disse que a Colômbia está disposta a levar adiante a reparação moral e financeira das vítimas e ressaltou que a lei é o primeiro passo para construir a reconciliação e a paz no país. Santos destacou que o objetivo é conseguir restituir todas as vítimas nos próximos dez anos. "Sabemos que essa lei é uma grande conquista, mas o desafio maior começa agora."
A Lei tem 208 artigos nos quais se reconhece como vítima, de forma individual ou coletiva, quem tenha sofrido danos como consequência da infração ao Direito Internacional Humanitário. O texto classifica tipos de vítimas (mulheres, crianças e minorias étnicas) e conceitua como conflito armado "o enfrentamento entre a guerrilha, os paramilitares e o Estado".
Dessa maneira, qualquer um desses atores poderá ser penalmente responsabilizado. A reparação poderá ser via reconhecimento moral, restituição de terras e, em alguns casos, em dinheiro.
Da Redação, com agências
ONU exige que Colômbia aplique lei das vítimas de conflito armado
Domingo, 12 de Junho de 2011 às 05:56, por: CdB