Milhões de pessoas comemoraram neste domingo o Dia Mundial do Meio Ambiente plantando árvores, recolhendo lixo e fazendo manifestações para pedir cidades mais limpas e mais verdes.
Até 2030, mais de 60 por cento da população do mundo viverá em cidades, acima dos 50 por cento de agora e de apenas um terço em 1950, disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
O crescimento representa problemas enormes, desde o suprimento de água até a coleta de lixo.
O tema deste ano do Dia do Meio Ambiente é mais planejamento "verde" para as cidades em desenvolvimento - muitas delas sofrendo com a poluição do ar e dos rios, além da falta de condições de saneamento.
"Um em cada três moradores de cidade vive em favela", disse Annan em comunicado. "Criemos cidades mais verdes", disse, acrescentando que a não ser que o planejamento melhore, o objetivo da ONU de reduzir a pobreza pela metade até 2015 não será atingido.
Ativistas no mundo inteiro lembram o dia 5 de junho, data do primeiro encontro ambiental, em Estocolmo em 1972, como o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Em São Francisco, onde está sendo realizado o maior evento do dia, prefeitos de mais de 50 cidades, incluindo Xangai, Cabul, Buenos Aires, Sydney, Phnom Penh, Jacarta, Roma e Istambul pretendem assinar um acordo estabelecendo novos padrões "verdes" para planejamento urbano.
As cidades serão classificadas com zero até quatro estrelas, de acordo com a realização de 21 objetivos.
Estão sendo realizados eventos no mundo inteiro. No Sri Lanka, um grupo pretende plantar árvores para ajudar na reconstrução da costa após o tsunami de 26 de dezembro. Na Grécia, o porto de Zakynthos planejou proibir a circulação de carros e fornecer transporte público gratuito.
A ONU afirma que as cidades estão drenando os recursos naturais do mundo, que diminuem, e o prazo para torná-las mais eficientes e menos poluentes está terminando.
"A batalha pelo desenvolvimento sustentável, para um mundo mais justo, saudável e estável, será ganha ou perdida nas nossas cidades", disse Klaus Toepfer, chefe do Programa Ambiental da ONU.
Se bem administradas, as cidades podem ajudar a proteger o meio-ambiente reduzindo a pressão nas áreas rurais, onde humanos podem ameaçar os habitats de animais e plantas.
CHINA E POLUIÇÃO
Na China, onde vive um quinto da humanidade, o foco em 2005 é diminuir a poluição sonora e limpar a água, o ar e o lixo das áreas urbanas, disse Pan Yue, vice-ministro da Administração de Proteção Ambiental, à Televisão Central Chinesa.
Cerca de 90 por cento dos rios que passam por cidades chinesas estão muito poluídos, disse a TV neste domingo.
Bangladesh, país com 144 milhões de habitantes, enfrenta sérios problemas, incluindo elevação dos níveis do mar e enchentes, disse o ministro do Meio Ambiente, Tariqul Islam.
A situação da capital, Daca, também é alarmante. A cidade tem 10 milhões de pessoas e poderá subir para 25 milhões em 2030 se a atual tendência de migração e natalidade continuar, disse o ministro em entrevista coletiva no sábado.
O encontro de prefeitos em São Francisco estabelecerá objetivos, incluindo corte das emissões de gases de carros, fábricas e usinas de energia em 25 por cento até 2030.
O objetivo é mais ambicioso do que o do Protocolo de Kyoto da ONU, que pretende cortas as emissões em países desenvolvidos para 5,2 por cento abaixo dos níveis de 1990 entre 2008 e 2012.