Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

ONU estima que economia mundial irá crescer 3,5% em 2004

Quarta, 14 de Janeiro de 2004 às 08:46, por: CdB

 A economia mundial crescerá 3,5 por cento este ano, animada pelas baixas taxas de juros nos Estados Unidos e na Europa e pelo forte crescimento da China, segundo estimativas das Nações Unidas.

No último relatório sobre a "Situação Econômica Mundial e perspectivas para 2004", que será difundido oficialmente nesta quarta-feira, a ONU estima que os países desenvolvidos crescerão em média 3 por cento.

Os Estados Unidos fecharão o ano de 2004 com um aumento de 4 por cento, Japão crescerá 2,5 por cento e a "zona euro" 2 por cento, segundo os mesmos cálculos.

Os países em desenvolvimento crescerão 3,5 por cento, mas a China, considerada pela ONU o motor mundial das importações e exportações, se destaca com um aumento de 8,5 por cento na China,

No entanto, o relatório adverte sobre algumas sombras que permanecem sobre a economia mundial, especialmente a debilidade do mercado de trabalho, que é atribuída à incapacidade de alguns países em aproveitar a reativação de suas economias para criar emprego.

Assim, o relatório explica que, apesar da maioria dos países Ter sofrido uma deterioração no mercado de trabalho durante os anos de desaceleração econômica, agora, com um ciclo econômico propício, a melhora do emprego se está ficando atrasada a respeito de outros indicadores.

O secretário-geral adjunto para Assuntos Econômicos, o colombiano Jose Antonio Ocampo, reconhece que a recuperação econômica atual está vinculada às baixas taxas de juros, que estimulam o investimento, e às medidas fiscais expansionistas.

No entanto, adverte que "as políticas econômicas devem ter cuidado para não derrubar a recuperação com uma prematura retirada dos estímulos".

Outras ameaças econômicas procedem dos desequilíbrios internacionais, devido fundamentalmente ao cada vez maior déficit externo dos Estados Unidos que, segundo os economistas da ONU, representa uma "ameaça" para a "estabilidade, eficiência e equilíbrio" da economia mundial.

Estes desequilíbrios não devem ser corregidos nem com uma manipulação das taxas de câmbio, nem com medidas protecionistas dirigidas a reduzir o déficit contábil e a proteger o emprego.

Mais ao contrário, devem ser atacados com políticas coordenadas que permitam estreitar os diferenciais de crescimento entre os países ricos e pobres, concretamente com um apoio para as economias em desenvolvimento.

Além disso, a ONU pede aos Estados Unidos a reduzir seu déficit público, enquanto a Europa e o Japão devem abordar medidas que lhes permitam sustentar e prolongar seu crescimento econômico.

Os autores do relatório reconhecem que a atual recuperação econômica dos Estados Unidos é "excepcionalmente forte", devido a solidez do investimento empresarial e do consumo interno, enquanto a Europa permanece ainda fábrica, embora com sinais de recuperação.

Os especialistas esperam que América Latina, depois de alguns anos muito negativos, especialmente desde 2000, registrará em 2004 um crescimento econômico de 3,5 por cento, graças a solidez da recuperação na Argentina, Brasil, Chile, México e Venezuela.

A África, por sua parte, aumentará sua produção bruta em 4,25 por cento, enquanto o sudeste asiático registrará um aumento de 6,25 por cento, apoiado pela Índia, que crescerá nesta mesma taxa, e pela China.

No Oriente Médio estima-se um crescimento de 4 por cento, embora sobre esta cifra pese uma grande incerteza pela evolução das tensões geopolíticas da região e, principalmente, pela reconstrução no Iraque.

O relatório também apresenta uma análise do comércio exterior, que crescerá no próximo ano em sete por cento, embora advirta "que é improvável que sejam repetidas as boas cifras do fim dos anos 90".

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