Os serviços secretos britânicos ajudaram seus colegas americanos a espionarem as delegações do Conselho de Segurança da ONU antes dos debates cruciais que precederam a guerra no Iraque. A informação foi publicada no jornal britânico The Observer.
A China, membro permanente do Conselho de Segurança, figurava, aparentemente, entre os países-alvo deste trabalho de espionagem, de acordo com o jornal. Os tradutores e analistas do Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), o serviço britânico especializado em interferências eletrônicas, receberam a ordem de ajudar os serviços de espionagem dos EUA no final de janeiro de 2003, segundo The Observer.
A operação começou antes de uma intervenção, em 5 de fevereiro de 2003, do secretário americano de Estado, Colin Powell, no Conselho de Segurança, pouco antes da invasão das forças anglo-americanas no Iraque, acrescenta o jornal britânico.
A funcionária dos serviços secretos britânicos Katharine Gun, suspeita de ter divulgado um memorando secreto americano no qual se pedia para organizar escutas dos delegados do Conselho de Segurança das Nações Unidas antes da guerra no país árabe, deve comparecer no dia 16 de fevereiro perante um tribunal londrino. Katharine, de 29 anos, foi demitida do GCHQ em junho, após a publicação pelo "Observer" de um documento dos serviços americanos de grampos que solicitavam ajuda para conhecer as intenções de voto de seis países indecisos - Angola, Camarões, Chile, Bulgária, Guiné e Paquistão. Segundo a matéria publicada neste domingo, Katharine Gun fala chinês e pode estar envolvida nos planos de interferência da delegação chinesa na ONU. pw/tt