Autoridades palestinas acusaram funcionários da ONU de terem repassado indevidamente documentos para o governo de Israel sobre o caso da Corte Internacional que apura a construção de um muro de segurança israelense na Cisjordânia. Nasser al-Kidwa, enviado palestino na ONU, pediu que as Nações Unidas investiguem as denúncias e punam quem tiver vazado documentos sobre o caso, julgado na corte da ONU em Haia.
Al-Kidwa fundamentou sua queixa em declarações do embaixador israelense na ONU, Dan Gillerman, feitas durante entrevista coletiva na última sexta-feira. Gillerman, em uma rara crítica ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que o relatório das Nações Unidas sobre o caso mostravam 'preconceito...que beira o absurdo', porque teria excluído a visão israelense.
Segundo Al-Kidwa, o relatório da ONU não havia sido divulgado quando das declarações de Gillerman, e as determinações da corte previam que fosse mantido sob sigilo.
O vice-embaixador de Israel na ONU, Arye Mekel, imediatamente classificou as denúncias de Al-Kidwa como 'muito estranhas'. Segundo ele, o dossiê da ONU estava há mais de uma semana no site da Corte internacional (http://www.icj-cij.org/icjwww/idocket/imwp/imwpframe.htm), acessível a todos.
Al-Kidwa, entretanto, insistiu que Gillerman referia-se a material que não constava do site da corte. Funcionários da ONU disseram que não poderiam avaliar imediatamente as denúncias e contra-ataques sobre o caso.
A Corte Internacional, formalmente conhecida como Corte Internacional de Justiça, começará a deliberar em 23 de fevereiro sobre o pedido da Assembléia Geral da ONU para apuração do polêmico muro israelense.
Para os palestinos, a barreira construída por Israel é um 'muro do apartheid', com o objetivo de manter o controle definitivo sobre as terras ocupadas pelo Estado judeu desde a Guerra do Oriente Médio de 1967. Israel, no entanto, afirma que trechos da barreira de concreto e arame farpado já estão impedindo a ação de militantes suicidas.
Enquanto os palestinos argumentam que a corte tem jurisprudência para decidir o caso, Israel -apoiado por Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros países- questiona formalmente o direito de ela julgar a legalidade da barreira.
ONU é acusada pela Palestina de vazar informações a Israel
Quarta, 04 de Fevereiro de 2004 às 00:13, por: CdB