ONU diz que ao menos 20 crianças já morreram em Misrata
Por Alexander Dziadosz
BENGHAZI, Líbia (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo na terça-feira por cessar-fogo na cidade líbia de Misrata, dizendo que ao menos 20 crianças morreram nos ataques promovidos pelas forças do governo contra as regiões da cidade controladas pelos rebeldes.
A terceira maior cidade da Líbia, onde se acredita que centenas de pessoas tenham morrido com as bombas e francoatiradores das forças de Muammar Gaddafi, é o principal foco dos esforços para proteger os civis que estão no meio da tentativa do líder líbio de reprimir uma rebelião armada.
Ao mesmo tempo, porém, as potências do Ocidente buscam formas de apoiar os rebeldes no esforço para derrubar Gaddafi. A Grã-Bretanha informou que enviará oficiais militares para aconselhar os rebeldes sobre organização e comunicações, mas não treinará nem armará os combatentes.
E a Itália afirmou que o grupo internacional Libya Contact Group está buscando formas de permitir que os rebeldes vendam o petróleo produzido no leste, controlado pelos rebeldes, apesar do embargo da ONU às vendas de petróleo líbio.
Nove semanas depois do início do levante, inspirado pelas insurreições contra os governantes autocráticos em outros países do mundo árabe, uma campanha aérea liderada pela Otan com o objetivo de manter as forças de Gaddafi fora do espaço aéreo e evitar ataques contra civis não conseguiu impedir o bombardeio a Misrata, uma cidade de 300 mil habitantes.
"Após cinquenta dias de confrontos em Misrata, o cenário completo do total de mortes de crianças começa a se desenhar -- muito pior do que temíamos e que certamente vai se agravar a menos que haja um cessar-fogo", disse Marixie Mercado, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
"Temos ao menos 20 mortes de crianças confirmadas e muitas outras feridas em razão dos estilhaços de bombas dos morteiros e tanques e ferimentos a bala", disse ela numa entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.
Grupos de ajuda humanitária afirmam que há escassez de alimentos, remédios e outros itens básicos na cidade. Dezenas de milhares de feridos e de trabalhadores estrangeiros aguardam no porto para serem retirados dali.
Muitos membros da Otan se recusam a ir além da resolução da ONU de impor uma zona de exclusão aérea e atacar as forças de Gaddafi, apesar dos pedidos de EUA, França e Grã-Bretanha.
Alguns dos países que permitiram a aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia afirmam que ela está sendo usada incorretamente para fornecer cobertura militar aos rebeldes -- mesmo que o confronto aparentemente agora esteja num impasse na linha de frente a oeste de Ajdabiyah, no leste da Líbia.
Reuters