As condições sanitárias da população civil no Líbano preocupam várias agências da ONU, que pediram, nesta quarta-feira, que seu trabalho de assistência aos civis não seja dificultado, especialmente no que se refere à distribuição de remédios e à circulação das ambulâncias.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) lamentaram em uma declaração conjunta que suas tarefas de ajuda aos feridos estejam sendo "restringidas".
As organizações destacaram que o livre acesso às mulheres grávidas e pessoas que sofrem de doenças crônicas é imprescindível para evitar um número maior de mortes e aliviar o sofrimento da população.
Junto ao Ministério da Saúde libanês, o Unicef e a OMS iniciaram um plano de ajuda sanitária de emergência, que compreende a distribuição de pastilhas de purificação de água, remédios e material necessário para o tratamento de doenças crônicas como o diabetes.
O comunicado destaca que o impacto psicológico do conflito já pode ser notado, especialmente entre as crianças que perderam suas casas ou viram alguém morrer ou ficar ferido nos ataques.
A ofensiva israelense contra Beirute e o sul do Líbano deixou mais de 200 mortos e 550 feridos, enquanto somente na capital 30 mil pessoas se refugiaram em escolas públicas ou saíram do centro da cidade.
A OMS e o Unicef indicaram que suas estimativas sobre ajuda financeira serão incluídas em um pedido à comunidade internacional que as Nações Unidas podem fazer na próxima semana.
Por enquanto, o Unicef especificou que precisará de provisões para água e instalações sanitárias em escolas, remédios de primeira necessidade e ajuda psicológica para as crianças. A OMS indicou que pedirá avaliações sobre a ameaça que o conflito representa para a saúde dos menos favorecidos, além de equipamentos médicos.
Em todo o país, cerca de 500 mil pessoas, a maioria de nacionalidade libanesa, deixaram suas casas desde que Israel começou a bombardear o Líbano, segundo dados divulgados em comunicado pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
A organização humanitária, que deve enviar uma equipe de onze pessoas ao Líbano para avaliar as necessidades dos deslocados, detalhou que 60 mil se refugiaram no vale próximo à cadeia montanhosa de Shuf, no sudeste de Beirute.
Muitos sírios tentam retornar a seu país de origem e, segundo o Acnur, vários estrangeiros tentaram atravessar a fronteira sem documentos. A organização informou também que tenta solucionar a situação dos cerca de 20 mil refugiados e litigantes de asilo procedentes do Iraque e do Sudão.
ONU diz que ajuda humanitária no Líbano é dificultada
Quarta, 19 de Julho de 2006 às 07:39, por: CdB