A ONU e os Estados Unidos estão trabalhando em um plano para o eventual retorno dos inspetores nucleares à Coréia do Norte. O anúncio foi feito pelo diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed El Baradei.
O novo programa seria mais rigoroso do que as inspeções anteriores no misterioso país comunista. Em um sinal de que a cooperação está sendo retomada, depois da tensão em torno da guerra no Iraque, o programa nuclear norte-coreano esteve entre as questões que El Baradei discutiu na quarta-feira com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A informação foi dada por ele mesmo ao regressar a Viena, onde funciona a sede da AIEA.
Antes de ser expulsa pelo governo de Pyongyang, em 2002, a AIEA tinha direito de fazer inspeções apenas limitadas no complexo nuclear de Yongbyon. Depois disso, a Coréia do Norte se retirou do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Conforme El Baradei, nesta semana seus inspetores devem ter acesso irrestrito às instalações norte-coreanas caso voltem ao país. "Precisamos consultar para ver como podemos chegar a um plano que evite os retrocessos do passado e garanta que tenhamos um plano de ação abrangente e verificável, para podermos fazer um exame completo do programa nuclear deles", disse.
A AIEA e Washington acreditam que a Coréia do Norte já possui uma bomba atômica. Depois do encontro com Bush, El Baradei afirmou que caso as seis partes envolvidas nas negociações -- as duas Coréias, os EUA, a China, a Rússia e o Japão -- atinjam qualquer acordo sobre o programa nuclear do Norte, esse plano deve incluir inspeções irrestritas da ONU.
"Precisamos de um sistema robusto no qual possamos ir em curto prazo recolher amostras ambientais, e fazer tudo o que for preciso para garantir que não estamos sendo enganados", declarou.
Comentando as relações entre Washington e a AIEA um ano depois das tensões provocadas pela guerra no Iraque -- quando os EUA não esperaram o resultado completo das inspeções da ONU no país antes de invadi-lo -- El Baradei afirmou que os norte-americanos parecem estar comprometidos com a negociação. "O ponto alto da minha visita é a sensação de que há um verdadeiro compromisso nos EUA, em todos os níveis, para trabalhar em parceria com a agência. Sinto em todos os níveis, desde o presidente, um sentido de compromisso".