O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse nesta quinta-feira, em uma reunião com líderes europeus, que o papel da organização no Iraque deveria ser definido pelo Conselho de Segurança. "Qualquer papel confiado às Nações Unidas, além do puramente humanitário, deveria ser por meio de um mandato dado pelo Conselho de Segurança", disse Annan aos líderes da União Européia e dos 10 futuros membros do bloco, em Atenas. Mas os Estados Unidos vêm exortando Annan a incluir um representante especial no processo de formação de um novo governo iraquiano, sob supervisão norte-americana, algo que o secretário-geral se recusa a fazer sem uma autorização do Conselho. Ainda em seu pronunciamento, Annan pediu aos líderes europeus que cheguem a uma posição comum sobre o Iraque, afirmando que o conflito dividiu o mundo mais do que qualquer outro tema desde a Guerra Fria. "É vital que superemos essa divisão, agora", disse. "O mundo não pode passar por um período longo de recriminações". "Há profundos sentimentos de suspeita e de desconfiança entre as nações e dentro delas", acrescentou. Annan manteve uma série de encontros durante a reunião de cúpula da União Européia, na capital grega, nesta quinta-feira e na véspera. Autoridades das Nações Unidas disseram que a organização não quer administrar o Iraque nem participar com forças de segurança. Mas, além da ajuda humanitária, a entidade disse ter experiência em organizar novos governos, ajudar a elaborar constituições e supervisionar eleições. França, Rússia e Alemanha, que estiveram à frente dos países que se opuseram à guerra, estão pedindo um "papel central" para as Nações Unidas. A Grã-Bretanha referiu-se a um "importante papel" e os Estados Unidos parecem limitar qualquer participação da ONU a pouco mais do que ajuda humanitária. Mas nenhum desses países divulgou detalhes sobre suas respectivas posições. Annan, que favorece a recuperação da unidade no Conselho de Segurança por meio de pequenos passos e medidas, pediu um acordo sobre princípios, tais como a soberania do Iraque e os direitos do povo iraquiano para determinar seu futuro e controlar seus recursos naturais. "Se nos basearmos firmemente nesses princípios, eu acredito que possamos nos reunir em torno de um projeto que dê ao povo iraquiano a possibilidade de ter um futuro brilhante", disse o secretário-geral. "E isso poderia ser um grande passo rumo a um mundo mais estável e pacífico". Como parte de sua agenda em Atenas, Annan conversou com líderes de Suécia, Dinamarca, Bélgica e Irlanda, além do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, do presidente da França, Jacques Chirac, do chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder, e do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov. Annan fez também um pronunciamento durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores de países com assentos no Conselho de Segurança da ONU - Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha, Espanha e Bulgária.
ONU depende do Conselho de Segurança para entrar no Iraque
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse nesta quinta-feira, em uma reunião com líderes europeus, que o papel da organização no Iraque deveria ser definido pelo Conselho de Segurança. "Qualquer papel confiado às Nações Unidas, além do puramente humanitário, deveria ser por meio de um mandato dado pelo Conselho de Segurança", disse Annan aos líderes da União Européia e dos 10 futuros membros do bloco, em Atenas. (Leia Mais)
Quinta, 17 de Abril de 2003 às 05:21, por: CdB