Mais de 500 milhões de pessoas podem escapar da pobreza absoluta na próxima década e dezenas de milhares de mortes podem ser evitadas. Isso se países desenvolvidos, como EUA e Japão, cumprirem a promessa de aumentar a ajuda dada aos países pobres.
A afirmação faz parte de um relatório de 3 mil páginas divulgado hoje, na sede das Nações Unidas, em Nova York, que mostra o tamanho do investimento necessário para que os membros da ONU atinjam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, oito metas contra a pobreza, a fome, a discriminação e as epidemias para 2015.
Segundo a ONU, cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia e 1,8 bilhão com apenas US$ 2, principalmente nas nações africanas e asiáticas. "O sistema não está funcionando. Vamos ser claros", disse o badalado economista Jeffrey Sachs, que coordenou o trabalho de 265 especialistas. "Há um imenso desequilíbrio no enfoque dado a questões como guerra e paz, e menos à morte e ao sofrimento dos pobres."
O relatório foi entregue por Sachs ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, durante uma cerimônia na sede da organização. Annan disse que usará os dados para preparar sua própria recomendação aos membros da ONU na próxima Assembléia Geral, em setembro.
O documento, chamado "Investindo no Desenvolvimento: Um Plano Prático para Atingir os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio" , indica que investir no cumprimento das metas contra a pobreza é factível com uma economia de US$ 30 trilhões comandada pelos países ricos, dos quais US$ 12 trilhões estão nas mãos americanas.
Em 1970, as nações desenvolvidas concordaram em destinar 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para ajuda humanitária. Até agora apenas cinco delas cumpriram o prometido: Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega e Suécia. Outros seis países (Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Irlanda e Reino Unido) disseram que atingirão a meta apenas em 2015. Os EUA, os mais ricos do planeta, gastam somente 0,15% de seu PIB com esse tipo de auxílio - apesar de o presidente George W. Bush ter se comprometido com um aumento na verba.
Para Sachs, que coordena o Instituto da Terra, na Universidade Columbia (EUA), o acesso à infra-estrutura básica de saúde seria suficiente para inverter o quadro negativo. Como exemplo, cita a instalação de redes para proteger camas e manter distantes mosquitos vetores de doenças, como a malária e a dengue, e o acesso à água potável e a sistemas de saneamento adequados. Também comenta a necessidade de se investir em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias mais baratas e eficientes.
"Temos a oportunidade de cortar a pobreza mundial pela metade" disse o pesquisador. "Bilhões de pessoas podem aproveitar os frutos da economia global. Dezenas de milhões de vidas podem ser salvas."
ONU dá receita contra miséria de 500 milhões
Segunda, 17 de Janeiro de 2005 às 18:42, por: CdB