Até a Organização das Nações Unidas está incomodada com a intervenção das forças internacionais na Líbia. "Há diferença entre o autorizado pela ONU e o feito pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia", afirmou, neste final de semana, o relator da ONU para direitos humanos, Richard Falk. Ele vê um precedente perigoso a utilização da resolução da ONU - principalmente distorcendo-a - para mudar regime ou derrubar um governo, a exemplo do que ocorre hoje na Líbia.
Outro especialista em Oriente Médio, o britânico Robert Fisch, aponta o perigo que corre o Ocidente de reconhecer como conselho de transição líbio um grupo heterogêneo que já deu sinais de inconsistência. Ontem, rebeldes líbios e a Grã Bretanha rejeitaram a oferta de Muamar Kadafi, chefe de governo do país, para discutir a formação de um governo de transição no país. Seu porta-voz, Moussa Ibrahim, no entanto, confirmou que Kadafi continua no país e pretende manter o diálogo com os rebeldes. Kadafi propôs que as negociações sobre um governo de transição sejam lideradas por seu filho Al-Saadi.
"Não os reconhecemos. Vamos prendê-los em breve", disse Mahmoud Shammam, ministro da informação no governo de transição dos rebeldes. Enquanto isso, o país vive momentos de indefinição de poder e desabastecimento generalizado. Falta água, combustível e eletricidade em Tripoli. Ainda que os primeiros carregamentos de ajuda humanitária estejam chegando ao país, 16 navios aguardavam no porto de Trípoli neste domingo para serem descarregados.
ONU critica uso de resolução para derrubar Kadafi
Segunda, 29 de Agosto de 2011 às 03:48, por: CdB