A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) criticou o Irã na sexta-feira por não cooperar de maneira satisfatória com os inspetores da entidade.
Uma resolução adotada por unanimidade pelo quadro de diretores da AIEA, uma agência das Nações Unidas, disse que a entidade "lamenta o fato de a cooperação do Irã não ter sido tão completa, pronta e ativa como deveria".
A agência realiza inspeções no Irã desde agosto de 2002 e vem pressionando Teerã a ser totalmente aberto com os inspetores.
Apresentado pela França, pela Grã-Bretanha e pela Alemanha, o texto final da resolução apareceu depois de alguns dias de discussões. O presidente do Irã, Mohammad Khatami, rejeitou a proposta de resolução na quarta-feira, considerando-a "muito ruim", e ameaçou retomar o enriquecimento de urânio no país se ela fosse aprovada.
"Achamos que a agência agiu com base em pressões vindas de alguns centros políticos, em especial dos EUA", disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Khamal Karrazi.
Hossein Mousavian, delegado-chefe da missão iraniana na AIEA, disse a repórteres que o programa atômico do Irã era totalmente pacífico e que as acusações dos EUA de que o país mantinha um programa secreto para fabricar armas nucleares haviam sido totalmente descartadas pela agência.
"Depois de 670 inspeções realizadas nos últimos 15 meses, não há indicação nenhuma de que o Irã tenha se desviado de suas atividades pacíficas", afirmou.
Mas, para o governo norte-americano, os iranianos violaram suas obrigações de não-proliferação e deveriam ser denunciados ao Conselho de Segurança da ONU para serem punidos. A resolução aprovada na sexta-feira, porém, não fazia menção ao Conselho de Segurança.
Em meio às discussões, novas dúvidas surgiram sobre a veracidade das declarações dadas pelo Irã. Fotos de satélite tiradas no final de 2003 e em março de 2004 mostraram prédios destruídos e camadas de terra retiradas de uma área perto de Teerã.
Segundo o chefe da AIEA, Mohamed ElBaradei, os iranianos garantiram que não havia nada no local. Autoridades do Irã disseram que os inspetores seriam bem-vindos na área suspeita.