Um especialista do Banco Mundial salientou nesta quinta-feira, na cidade mexicana de Mérida, onde se realiza a Convenção da ONU contra a Corrupção, que esta atividade gera anualmente pelo menos US$ 1,5 trilhão no mundo. O diretor para Governabilidade Global e para Capacidade no Instituto do Banco Mundial, o chileno Daniel Kaufmann, afirmou que nos países onde o combate à corrupção é efetivo, as condições sociais melhoram.
Daniel Kaufmann explicou que a redução da mortalidade infantil pode ser de "75% a longo prazo". "A corrupção é um imposto regressivo que penaliza aos pobres", afirmou. Ele ressaltou que, para os investidores, destinar capitais a um país corrupto equivale a pagar "um imposto de 20%".
O diretor para Governabilidade Global explicou que os US$ 1.500 trilhões são uma "estimativa", equivamente a 5% das receitas geradas mundialmente. O especialista da ONU estava acompanhado por Eva Joly, conselheira especial do Governo da Noruega na luta contra a lavagem de dinheiro, e Ramesh Lawrence Maharaj, ex-procurador geral de Trinidade e Tobago.
Kaufmann disse que México "melhorou", embora não muito, em sua luta contra as práticas corruptas e considerou que o governo do presidente Vicente Fox mostra uma disposição a erradicar este problema. Ele acrescentou que não se observou nos últimos seis anos uma "deterioração" em nível mundial em termos de corrupção, embora também não houve "melhorias".
"Há uma estagnação", afirmou, ao indicar que é possível que a assinatura do convenção anticorrupção da ONU gere mudanças para melhor. Também considerou que a América Latina deveria fazer-se a pergunta de se está sendo suficientemente "ambiciosa" na consecução de políticas mais transparentes.
Disse que é necessário que nos países que queiram combater a corrupção se empreendam "reformas políticas" que permitam uma maior transparência no sistema eleitoral. Também advertiu que a problemática da corrupção também provém de "potentados e interesses criados no setor privado" e não unicamente no público.
Ele disse que vai ser "crucial" no ano 2004, quando prossiga o processo de ratificação do convenção pelos parlamentos dos países assinantes e deva fazer-se um acompanhamento de sua implementação. Se requer que pelo menos 30 parlamentos ratifiquem esta convenção para que entre em vigor. Haverá de "saber que países estão cumprindo" com o conteúdo do documento, disse.