Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

ONU condena "muro de Berlim israelense" que avança para as terras mais férteis da Cisjordânia

Terça, 20 de Julho de 2004 às 22:28, por: CdB

Em reunião nessa terça-feira, a Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução que pede que Israel destrua a barreira que está construindo na sua fronteira com a Cisjordânia.

Cento e cinqüenta países aprovaram o documento, enquanto seis - entre eles os Estados Unidos - votaram contra e dez se abstiveram.

A resolução segue o julgamento do Tribunal de Haya que, na semana passada, decretou que a construção do muro é ilegal.

Em fevereiro, a Cruz Vermelha também se manifestou contra a barreira, dizendo que ela viola as leis humanitárias internacionais e que vai ultrapassar em muito o que é permitido a uma potência ocupante.

A declaração de que "A Cruz Vermelha adverte Israel a não planejar, construir ou manter esse muro no interior do território ocupado", surpreende porque é direta e frontal. Normalmente, a organização se mantém neutra, como agiu quando não denunciou as torturas de presos em Abu Graib, no Iraque.

Agora o governo de Iasser Arafat tenta conseguir sanções dos países pertencentes à ONU para Israel, caso o país não siga as orientações da Organização.

Israel alega que a barreira protege seu povo dos ataques terroristas. Os Estados Unidos concordam e dizem que o país "tem o direito de se defender".

Com a "carta branca" dada a Sharon, após a sua última visita à Washington, vai ser difícil convencer Israel a mudar de idéia, enquanto estiver tendo o apoio incondicional de George Bush.

Em abril, um grupo de 55 ex-diplomatas norte-americanos entregaram uma carta-manifesto para o Presidente, em que falavam que o apoio que a Casa Branca dá para as atitudes de Sharon, colocam os Estados Unidos como sendo uma país incentivador do conflito entre israelenses e palestinos.

CARACTERÍSTICAS DO MURO

- um dos projetos mais caros de Israel, orçado em 2 bilhões de dólares

- 730km de comprimento

- delimita a fronteira da Cisjordânia e ainda circunda Jerusalém

- teve início em 2002 e tem previsão para terminar em 2005

- tem 8m de altura, o dobro do muro de Berlim

- 30% da população da Cisjordânia será afetada, ou seja, 680 mil palestinos de 122 cidades e povoados

- 180km já foram construídos, com isso 1.100 hectares de terras privadas palestinas foram confiscadas (a decisão da ONU obriga que Israel indenize as famílias palestinas afetadas)

- são as terras mais férteis da Cisjordânia e onde trabalham 25% de toda a população.

 

 

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