Em reunião nessa terça-feira, a Assembléia Geral da ONU aprovou uma resolução que pede que Israel destrua a barreira que está construindo na sua fronteira com a Cisjordânia.
Cento e cinqüenta países aprovaram o documento, enquanto seis - entre eles os Estados Unidos - votaram contra e dez se abstiveram.
A resolução segue o julgamento do Tribunal de Haya que, na semana passada, decretou que a construção do muro é ilegal.
Em fevereiro, a Cruz Vermelha também se manifestou contra a barreira, dizendo que ela viola as leis humanitárias internacionais e que vai ultrapassar em muito o que é permitido a uma potência ocupante.
A declaração de que "A Cruz Vermelha adverte Israel a não planejar, construir ou manter esse muro no interior do território ocupado", surpreende porque é direta e frontal. Normalmente, a organização se mantém neutra, como agiu quando não denunciou as torturas de presos em Abu Graib, no Iraque.
Agora o governo de Iasser Arafat tenta conseguir sanções dos países pertencentes à ONU para Israel, caso o país não siga as orientações da Organização.
Israel alega que a barreira protege seu povo dos ataques terroristas. Os Estados Unidos concordam e dizem que o país "tem o direito de se defender".
Com a "carta branca" dada a Sharon, após a sua última visita à Washington, vai ser difícil convencer Israel a mudar de idéia, enquanto estiver tendo o apoio incondicional de George Bush.
Em abril, um grupo de 55 ex-diplomatas norte-americanos entregaram uma carta-manifesto para o Presidente, em que falavam que o apoio que a Casa Branca dá para as atitudes de Sharon, colocam os Estados Unidos como sendo uma país incentivador do conflito entre israelenses e palestinos.
CARACTERÍSTICAS DO MURO
- um dos projetos mais caros de Israel, orçado em 2 bilhões de dólares
- 730km de comprimento
- delimita a fronteira da Cisjordânia e ainda circunda Jerusalém
- teve início em 2002 e tem previsão para terminar em 2005
- tem 8m de altura, o dobro do muro de Berlim
- 30% da população da Cisjordânia será afetada, ou seja, 680 mil palestinos de 122 cidades e povoados
- 180km já foram construídos, com isso 1.100 hectares de terras privadas palestinas foram confiscadas (a decisão da ONU obriga que Israel indenize as famílias palestinas afetadas)
- são as terras mais férteis da Cisjordânia e onde trabalham 25% de toda a população.