O representante da União Africana e da ONU, Rodolpho Adada, disse estar chocado com o "terrível e deliberado" ataque contra a base na cidade de Haskanita, no sul de Darfur.
Um grupo numeroso de homens armados a bordo de 30 veículos atacou a base militar na noite de sábado. As forças da União Africana tentaram se defender sem grande resultado e a base foi saqueada e danificada.
Um porta-voz do movimento rebelde Justiça e Igualdade disse à BBC que a invasão foi liderada por três dissidentes de seu grupo e outros militantes que se separaram do Exército de Libertação do Sudão.
O incidente ocorreu horas depois da chegada de um grupo de figuras ilustres liderados pelo arcebispo sul-africano Desmond Tutu, que está no Sudão para pedir paz em Darfur.
O grupo - integrado ainda pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e pela ex-primeira dama de Moçambique, Graça Machel, entre outros - deverá se reunir com o presidente sudanês, Omar al-Bashir nesta segunda-feira.
População civil
Cerca de 7 mil soldados da União Africana participam da missão em Darfur, iniciada em 2003, e têm enfrentado dificuldades para proteger a população civil.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas já aprovou o envio de uma missão de paz de 26 mil soldados para reforçar o contingente da União Africana.
Pelo menos 200 mil pessoas foram mortas e cerca de 2 milhões tiveram de deixar suas casas desde o início do conflito entre o governo sudanês – acusado de apoiar milícias muçulmanas, chamadas Janjaweed, que atacaram vilarejos de Darfur – e rebeldes contrários ao governo de Cartum.