Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2026

ONU conclui que combate ao aquecimento global custa pouco

A terceira parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta sexta-feira em Bangcoc, na Tailândia, concluiu que é possível estabilizar a emissão de gases que causam o efeito estufa em um nível que minimize o aquecimento global a um custo anual de não mais que 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2030. (Leia Mais)

Sexta, 04 de Maio de 2007 às 08:34, por: CdB

A terceira parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta sexta-feira em Bangcoc, na Tailândia, concluiu que é possível estabilizar a emissão de gases que causam o efeito estufa em um nível que minimize o aquecimento global a um custo anual de não mais que 3% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2030.

Segundo os cientistas, para minimizar os efeitos do aquecimento, o aumento de temperatura em todo mundo precisa ser mantido no limite de 2º C neste século. No entanto, para essa meta seja alcançada com esse custo, os países do mundo precisariam adotar rapidamente tecnologias que diminuam a emissão dos gases do efeito estufa - aumentando o uso de biocombustíveis e de energia nuclear, por exemplo.

O relatório também, pela primeira vez, diz que as pessoas individualmente podem ter impacto na diminuição das emissões de gases prejudiciais, por meio de mudanças em seus estilos de vida.

- As pessoas precisam estar dispostas a mudar, a se preparar para mudar, porque para que possamos resolver o problema das mudanças climáticas, nós temos que mudar a forma como fazemos as coisas -, disse Ogundale Davidson, co-presidente do grupo do IPCC responsável pela redação do documento.

Combustíveis

A presença de gases do efeito estufa na atmosfera já aumentou 70% desde 1970 e deve aumentar entre 25% e 90% nos próximos 25 anos se nada for feito, alertaram os cientistas.
A concentração atual está em torno de 425 ppm (partes por milhão), e a "estabilização" de emissões abaixo de 450 ppm seria necessária para que o aumento médio na temperatura da Terra fique abaixo de 2º C.

O relatório reconhece que combustíveis fósseis devem continuar a ser a principal fonte de energia do planeta até depois de 2030 e prevê que em virtude disso as emissões de dióxido de carbono para uso energético no período entre 2000 e 2030 podem crescer entre 45% e 110%.

O documento menciona que entre dois terços e três quartos do aumento das emissões deve vir dos países em desenvolvimento, porém os níveis de emissões per capita continuarão baixos, se comparados aos dos países ricos.

O documento serve de base para a criação de novas políticas de proteção ao meio ambiente que devem ser desenvolvidas nas próximas conferências da ONU.

No relatório estão resumidas tendências das emissões de gases, custos de mitigação a médio e longo prazo, políticas de contenção e maneiras de desenvolvimento sustentável.

- O relatório é brilhante e vai influenciar os tomadores de decisão, quando eles se reunirem em Bali em dezembro -, disse Rajendra Pachauri, presidente do IPCC, se referindo ao 13º encontro da Convenção das Nações Unidas para Mudanças Climáticas.

O documento de Bangcoc é a terceira parte de um extenso levantamento que estima a extensão do problema do aquecimento global e sugere soluções.

A primeira parte do relatório anual foi divulgada em Paris em janeiro e concluiu que o fenômeno do aquecimento global é de fato causado pelo homem.

A segunda parte abordou os impactos das mudanças climáticas e foi divulgado em Bruxelas no começo do ano.

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