Data é comemorada nesta quinta-feira; Unfpa reconhece o papel vital dessas profissionais para garantir que nenhuma mulher morra durante o parto.
Faltam 350 mil parteiras
Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.
As Nações Unidas comemoram neste cinco de maio o Dia Mundial das Parteiras, reconhecendo a importância dessas profissionais para a garantia de que nenhuma mulher morra durante o parto.
Em mensagem, o diretor-executivo do Fundo da ONU para População, Unfpa, Babatunde Osotimehin, lembrou que as parteiras "salvam vidas e são uma força de trabalho essencial para a eficácia dos sistemas de saúde".
Primeira Semana de Vida
Segundo o Unfpa, mil mulheres morrem por dia por causa de complicações durante o parto e 5,5 mil recém-nascidos morrem na primeira semana de vida. A agência destaca que mais de uma em cada três mulheres em países em desenvolvimento dão à luz sem nenhuma ajuda profissional.
Esse foi o caso de Maria Rosa Casas Moreira, que teve todos os oito filhos em casa. O mais velho nasceu em 1946 e a caçula, em 1963. Em entrevista à Rádio ONU, do Rio de Janeiro, Rosa, hoje com 90 anos, relembrou a experiência.
"Eu tinha sempre assistência médica. Eu fazia revisão para calcular mais ou menos quando seria o nascimento. Eu tive todos os filhos em casa. Eu sentia aquele mal estar, aquela sensação e em algumas vezes, quando o médico chegava, o neném já tinha nascido. Tive partos muito felizes, nunca tive complicação", afirmou.
Opção
Ao contrário do passado, quando o parto domiciliar era comum, atualmente existe um déficit de 350 mil parteiras em todo o mundo, segundo o Unfpa. A enfermeira obstetra e parteira Márcia Koiffman falou à Rádio ONU, de São Paulo, sobre o perfil da brasileira que opta por ter o filho em casa neste século 21.
"O que diferencia o parto domiciliar nos centros urbanos é que ele é (hoje) uma opção. A mulher dentro das escolhas que ela pode fazer em relação ao parto, ela opta pelo parto domiciliar. Ela passa por um acompanhamento para decidirmos junto com ela se o parto pode acontecer em casa ou não. A escolha pelo parto domicilar passa por isso: a mulher poder estar em um ambiente onde ela seja a protagonista", destacou.
De acordo com Márcia Koiffman, os riscos do parto em mulheres com gravidez de baixo risco são os mesmos se o trabalho for realizado em casa ou no hospital.
Em junho, o Unfpa vai lançar o primeiro relatório sobre a situação das parteiras no mundo.