Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

ONU aprova utilização de transgênicos

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 23:21, por: CdB

A Organização para Agricultura e Alimentação da ONU (FAO) saiu em defesa de alimentos geneticamente modificados, dizendo que eles já ajudaram financeiramente fazendeiros, trouxeram alguns benefícios econômicos e nenhum prejuízo à saúde.

Em um grande relatório divulgado na última segunda-feira, a FAO afirmou que o principal problema com a biotecnologia na agricultura até agora é o fato de a técnica não ter chegado rapidamente até os agricultores pobres e ter sido focada na maioria das vezes a favor de interesses econômicos.

O relatório 'Biotecnologia Agrícola: Respondendo às Necessidades dos Pobres?' promete alimentar o debate sobre produtos geneticamente modificados - os chamados transgênicos - em um momento em que essa tecnologia continua a enfrentar oposição do público em países europeus, africanos e latinos.

- A biotecnologia é uma grande promessa para a agricultura em países em desenvolvimento, mas até agora só fazendeiros de alguns poucos países em desenvolvimento estão colhendo os lucros desses benefícios - disse a FAO.

O documento diz que o mundo terá 2 bilhões de pessoas a mais para alimentar em 30 anos, um desafio que a biotecnologia pode ajudar a enfrentar, disse o documento. Mas até agora houve pouco progresso. Em vez de melhorar o valor nutricional de culturas importantes para a alimentação como o arroz e a mandioca, a indústria desenvolveu quatro variedades principais de transgênicos: algodão, milho, canola e soja, disse a FAO.

Para a FAO, os pobres não recebem os benefícios dos transgênicos porque os produtos de que necessitam são 'culturas órfãs', que não são alvo dos US$ 3 bilhões investidos todos os anos em pesquisas sobre a biotecnologia agrícola.

- Outras barreiras incluem procedimentos regulatórios inadequados, questões complicadas de propriedade intelectual e mercados e transporte de sementes deficientes - disse o chefe da FAO, Jacques Diouf.

Seis países contam com 99% da área total de plantações de transgênicos: Argentina, Brasil, Canadá, China, África do Sul e Estados Unidos. Em muitos países, preocupações ambientais e com a segurança alimentar impedem o crescimento dessas culturas.

A União Européia barrou novas importações de transgênicos em 1998. Desde então, vem implementando testes e sistemas de monitoramento, e deve suspender sua moratória ainda esta semana. A gigante Monsanto desistiu esta semana de lançar a primeira variedade de trigo genético, depois de uma tempestade de críticas.

No ano passado, o presidente dos EUA, George W. Bush, iniciou uma ação comercial contra a UE, afirmando que o bloqueio estava prejudicando as exportações americanas, além de provocar a rejeição de transgênicos por países africanos.

O relatório diz que as preocupações sobre os efeitos da engenharia genética sobre o meio ambiente são justificadas e que os transgênicos têm de ser cuidadosamente regulamentados para evitar qualquer risco e ganhar a confiança dos consumidores.

- Os cientistas em geral concordam que os transgênicos atuais e os alimentos feitos com eles são seguros. Mas pouco se sabe obre os efeitos de longo prazo - disse Diouf.

O relatório cita o desenvolvimento de um algodão resistente a insetos pela China como exemplo de como os países em desenvolvimento podem se beneficiar dos transgênicos. Quatro milhões de pequenos agricultores chineses cultivam algodão transgênico, que fez as safras aumentarem 20% e reduziu o uso de pesticidas na China em um quarto, segundo a FAO.

Tags:
Edições digital e impressa