O mundo não atingirá sua meta de deter a disseminação e começar a diminuir o número de casos de Aids dentro de dez anos se a doença continuar a espalhar-se mais rapidamente do que os esforços para combatê-la, disse na quinta-feira uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU).
Presidentes e primeiros-ministros de todo o mundo, reunidos na ONU quase cinco anos atrás, fixaram as chamadas Metas para o Desenvolvimento do Milênio. Entre essas metas está a de, até 2015, deter a disseminação e começar a reverter o número de casos de Aids.
"Ainda estamos caminhando para a globalização da epidemia de Aids. Pensem nos países do Leste Europeu, da América Central, da Ásia. E, talvez amanhã, do Oriente Médio, também", afirmou Peter Piot, chefe da campanha da ONU para o combate à doença.
A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva concedida após um encontro com 127 delegados.
"Acho que essa é uma meta realista em vários países, mas não em todos os países do mundo", disse Piot.
Mais de 39 milhões de pessoas possuem o vírus da Aids, o HIV, atualmente. Essas pessoas moram em sua maioria na África.
Segundo Piot, os fundos e programas de combate à doença conseguiram ter maior efeito no leste da África, da Etiópia até Ruanda, mas não no oeste e no sul do continente.
No discurso de abertura do encontro de um dia, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que apenas 12 por cento dos portadores do vírus HIV que precisavam de tratamento estavam recebendo-o efetivamente.
Annan também afirmou que eficientes programas de prevenção, aconselhamento e exames eram uma exceção e que os remédios usados no combate ao HIV continuavam caros demais.
Programas contra a doença funcionaram no Brasil, por exemplo, que possui o projeto mais bem-sucedido de combate à Aids entre os países em desenvolvimento. O Camboja e a Tailândia também registraram avanços substanciais, afirmou Annan.
Mas algumas das piores previsões tornaram-se verdade. Quase metade dos portadores do HIV são hoje mulheres e meninas, casadas e solteiras, promíscuas ou fiéis.
No mundo todo, segundo um relatório da ONU, cerca de 8 bilhões de dólares devem ser gastos em 2005 para custear programas em países de baixa renda e renda média. A cifra representa um aumento de 23 por cento em relação à do ano passado.