Paul Volcker, chefe de uma investigação sobre o programa petróleo por comida para o Iraque, pretende dizer ao Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira como órgão mundial gerenciou mal a iniciativa, manchada pela corrupção. Em uma carta para os 15 membros do conselho, divulgada neste domingo, o secretário geral da ONU, Kofi Annan, disse:
- Pretendo estar presente quando o relatório for entregue ao conselho.
O atual presidente do conselho, Lauro Baya, das Filipinas, disse aos membros em uma nota que Volcker apresentaria um relatório que deve conter cerca de mil páginas e faria um "relato aberto". Volcker, chefe de um Comitê Independente de Inquérito da ONU, relatou a Annan na última quinta-feira as suas descobertas sobre o já extinto programa humanitário de US$ 64 bilhões.
Annan deve ser responsabilizado por mau gerenciamento do programa e por não agir para impedir os abusos cometidos, de acordo com fontes próximas à investigação. Mas o relatório não deve apresentar informações adicionais contra Annan pessoalmente, apesar de culpar seu filho Kojo por usar o nome do pai para proveito pessoal.
O jovem Annan trabalhava para a firma suíça Cotecna, que recebeu um contrato lucrativo para inspecionar os produtos.
O programa petróleo por comida, que ajudava 90% dos 26 milhões de iraquianos, tinha como objetivo diminuir o impacto das sanções da ONU depois que as tropas iraquianas invadiram o Kuwait, em meados dos anos 90. Sob o programa, o governo de Saddam Hussein podia vender petróleo e importar alimentos, medicamentos e outros produtos.
O programa começou em dezembro de 1996 e terminou em 2003. O inquérito, em um relatório separado que deve ser divulgado em outubro, analisará as 4.500 empresas privadas envolvidas na compra de petróleo ou no fornecimento de produtos para o programa.