Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

ONU afirma que número de mortos por tsunami pode dobrar

Quarta, 05 de Janeiro de 2005 às 21:36, por: CdB

A Organização das Nações Unidos alertou nesta quarta-feira que o número de mortos pelo maremoto na Ásia poderia dobrar para 300 mil caso os sobreviventes não recebessem água potável e outros serviços básicos até o final da semana para a prevenção de doenças.

O secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, sobrevoou as áreas mais devastadas pelo tsunami asiático e disse que viu cenas mais assustadoras do que em todas as guerras que testemunhou durante décadas como militar.

A ONU também pediu aos governos e grupos rebeldes da Indonésia, de Sri Lanka e da Somália a não adotarem ações que possam interromper o fluxo de ajuda para as vítimas da tragédia de 26 de dezembro.

Enquanto Powell examinava os estragos no litoral noroeste da ilha indonésia de Sumatra, líderes de todo o mundo começavam a chegar a Jacarta para uma cúpula, na quinta-feira, que tem por objetivo ajudar na reconstrução da região.

A Austrália e a Alemanha prometeram mais de 1 bilhão de dólares em ajuda, o que eleva o total estimado pela ONU para mais de 3 bilhões de dólares. Além disso, ganha impulso a proposta de perdoar parte da dívida dos países afetados.

"Se necessidades básicas (...) não forem atendidas urgentemente em todas as populações até o final desta semana, a Organização Mundial de Saúde teme a deflagração de doenças contagiantes que poderia resultar em um número semelhante de mortes causadas diretamente pelo impacto do tsunami", afirmou a ONU em um comunicado pela Internet.

Powell prometeu mais helicópteros, comida e água potável para os sobreviventes isolados do tsunami, que matou cerca de 150 mil pessoas.

"Estive na guerra e em vários furacões, tornados e outras operações de ajuda, mas nunca vi nada assim", disse Powell, 67 anos, que serviu duas vezes na guerra do Vietnã e chegou a ser comandante do Estado Maior norte-americano.

"Não posso nem imaginar o horror pelo qual passaram as famílias e todas as pessoas que ouviram este barulho vindo e que então tiveram suas vidas arrancadas por estas ondas", afirmou.

Quase 100 mil pessoas, cerca de dois terços de todos os mortos pelo tsunami, eram da província de Aceh, em Sumatra.

O coordenador de operações de emergência da ONU, Jan Egeland, elogiou os EUA por dobrarem o número de helicópteros destinados ao trabalho, que agora são cerca de 90. Ele afirmou que esse é o melhor meio de chegar a lugares isolados pela destruição de pontes e estradas.

Mas Egeland disse que os governos e os grupos rebeldes da região podem pôr o esforço a perder. "Precisamos que esse cessar-fogo e essa paz sejam mantidos, porque se um novo conflito estourar não poderemos ajudar as pessoas."

Egeland disse que neste momento a província de Aceh, onde atua um grupo separatista, está em paz, e que há um cessar-fogo em partes do Sri Lanka, onde atuam os separatistas da etnia tâmil. Além disso, de acordo com ele, líderes regionais inimigos pararam de combater "na maior parte da Somália".

Em Jacarta, onde participará da cúpula, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu aos líderes mundiais que honrem suas promessas de ajuda, destinando "dinheiro novo e adicional, sem roubar de Pedro para dar a Paulo, retirando (verbas) de outras crises".

As ilhas Seicheles (África), que, apesar da distância do epicentro, foram moderadamente atingidas pelo tsunami, pediram 9 milhões de dólares para reconstruir estradas, pontes e escolas. "É claro que não podemos comparar nossa situação com a da Ásia, mas estamos procurando só um pouco de dinheiro para nos ajudar", disse o secretário-executivo da chancelaria do país, Sylvestre Radegonde.

Tags:
Edições digital e impressa