Uma pandemia de gripe no mundo é esperada há anos e as nações têm que agir rapidamente para impedir que uma seja provocada pela gripe aviária, já endêmica em partes da Ásia, onde matou 46 pessoas, disseram autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.
O mundo geralmente enfrentava uma pandemia de gripe a cada 20 ou 30 anos, mas faz 40 anos que a última ocorreu.
- O mundo corre agora um risco dos mais graves de uma possível pandemia - alertou Shigeru Omi, chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) na Ásia, durante conferência sobre gripe aviária no Vietnã - país mais atingido pelo vírus H5N1.
Omi disse que é "altamente provável" que o vírus que se espalhou por grande parte da Ásia a partir do final de 2003 seja a fonte da próxima pandemia, a não ser que sejam tomadas medidas enérgicas.
Joseph Domenech, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), com sede em Roma, exortou os países ricos a agirem mais.
- Se eles não fizerem mais, a qualquer momento o problema poderá aparecer entre eles - afirmou a repórteres em Ho Chi Minh City, cidade de 10 milhões de habitantes que fica perto do delta do rio Mekong, onde surgiram, em dezembro, os mais recentes casos no Vietnã.
O surto no Vietnã matou 13 pessoas. Todas, como as vítimas anteriores, parecem ter contraído a doença a partir de contato direto com aves infectadas. Mas o que os especialistas temem é que o vírus H5N1 possa chegar a um ser humano ou animal com um vírus de gripe humana e sofra mutação de maneira que se dissemine entre a população mundial sem imunidade, o que mataria milhões de pessoas.
No primeiro encontro sobre gripe aviária, realizado no ano passado em Bangcoc, especialistas falaram com confiança sobre a erradicação do vírus. Eles dizem agora que pode levar muitos anos para eliminá-lo e que é necessário um esforço enorme para conter uma doença que atingiu diversos animais, incluindo gatos, leopardos e agora moscas.
Omi observou que a notícia de terça-feira de que pesquisadores japoneses encontraram moscas infectadas com gripe aviária no ano passado mostrou que o vírus é "versátil e resistente".