Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

ONU acusa Justiça do Brasil de conivência com prostituição

Um relatório da missão especial da Organização das Nações Unidas sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, divulgado nesta quarta em Genebra, na Suíça, responsabiliza a polícia e a Justiça brasileiras pelo problema. (Leia Mais)

Quinta, 19 de Fevereiro de 2004 às 06:42, por: CdB

Um relatório da missão especial da Organização das Nações Unidas sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, divulgado nesta quarta em Genebra, na Suíça, responsabiliza a polícia e a Justiça brasileiras pelo problema. O relatório diz ainda que a questão é apenas "a ponta de um grande iceberg" e cobra reformas imediatas nas duas instituições.

O relator da ONU para o Tráfico de Crianças, Prostituição e Pornografia Infantis, Juan Miguel Petit, diz que testemunhou "horrores" ao visitar o país em novembro do ano passado. Em 12 dias, ele passou por Brasília, Belém, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, além de receber informações de outras regiões.

Segundo o relatório, de 100 mil a 500 mil crianças são exploradas sexualmente no Brasil. A pobreza, a violência vinculada a desigualdades sociais, o crime organizado e a morosidade da Justiça são alguns dos fatores que levam ao panorama desastroso. 

O turismo sexual teve um capítulo no relatório. O relator não titubeou em apontar que o Brasil é visto no exterior com a imagem "sempre associada a estereótipos de jovens mulheres, a maioria afro-brasileiras, retratadas seminuas em catálogos para passar a mensagem de que aventuras sexuais exóticas podem ser realizadas" durante a viagem.

Para ele, o carro-chefe e chamariz para esse turismo sexual é o Carnaval, que começa neste fim de semana. As rotas nacionais e internacionais de tráfico de mulheres, crianças e adolescentes são outro ponto levantado pela missão especial. O estudo fala em 241 rotas no total, com rumo a dez países, e aponta a Espanha como o principal destino desse "comércio".

Soluções

a corrupção na polícia é a principal preocupação do relator. Ele afirma que os policiais são coniventes com o turismo sexual e a exploração infantil e tiram, em muitos casos, proveito disso. A impunidade e o corporativismo da PM impede que se encerre esse ciclo. Como solução, as Nações Unidas recomendam a adoção de programas de capacitação profissional dos policiais sobre direitos humanos e maior interação com a sociedade.

Sobre o Judiciário, a ONU defende uma reforma tendo como perspectiva os direitos das crianças. O texto diz que juízes devem "ter um papel ativo na área social de proteção aos direitos das crianças e integrar a rede de proteção formada em sua comunidade".

Tags:
Edições digital e impressa