O ex-presidente da Libéria Charles Taylor, que se exilou na Nigéria em 11 de agosto passado, continua desviando dinheiro público para outros países. A acusação é de um relatório da ONU divulgado nesta quinta.
O trabalho, elaborado por um grupo de especialistas que controla as sanções contra a Libéria, foi debatido hoje a portas fechadas pelos 15 membros do Conselho de Segurança. Na saída da reunião, o presidente de plantão do Conselho, o embaixador angolano Ismael Gaspar Martins, afirmou que decidiram manter o embargo de diamantes, armas e produtos florestais.
- Diante da situação atual da Libéria, decidimos continuar por enquanto com as sanções - assinalou o embaixador angolano. As sanções, que são revisadas a cada seis meses, foram impostas depois que o governo de Taylor foi acusado de estimular os confrontos no país e na região, através do uso dos recursos naturais e de táticas coercitivas.
Em 6 de agosto, os grupos rebeldes e as forças do governo acertaram um cessar-fogo, Taylor se exilou na Nigéria e tomou posse um governo transitório presidido por Gyude Bryant. No entanto, o grupo concluiu que o governo de transição não tem fundos para funcionar adequadamente e reconstruir as instituições necessárias para governar.
Além disso, assinala que a facilidade de se atravessar as fronteiras e a insegurança que há nos países vizinhos tornaram impossível aplicar plenamente o embargo de armas. Também destaca a pouca colaboração dos Estados Unidos, Suíça, Grã-Bretanha, China e outros países em relação às transações ilegais feitas por Taylor e seus seguidores, especialmente de propriedades do Estado.
Para evitar este desvio do dinheiro público mediante intermediários e facilitar a repatriação dos fundos desviados, o grupo recomenda uma investigação independente e o bloqueio de todas as contas, bens e posses que Taylor tenha ou controle.
ONU acusa Charles Taylor de manter desvios na Libéria
Quinta, 06 de Novembro de 2003 às 21:49, por: CdB