As Nacoes Unidas manifestaram hoje, sexta-feira, que é "impossível que se chegue a um acordo" para deter os programas nucleares na Coréia do Norte se nao a acao nao for acompanhada de um "pacote economico de peso".
Maurice Strong, assessor especial na Coréia do Norte do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse hoje á imprensa que a organizacao "falou com as partes e instituicoes que estao dispostas a ajudar nestas medidas economicas".
"E impossível se chegar a um acordo sobre a crise nuclear sem um pacote economico de peso", disse.
Strong realizou recentemente uma viagem de seis semanas que serviu de preparacao para as negociacoes de Pequim sobre o tema, que comecaram na quarta-feira e que terminam amanha, sábado.
Durante sua viagem, Strong se reuniu com representantes dos governos da Rússia, Suécia e Suíca, alguns dos países interessados em contribuir economicamente para a resolucao da crise.
Ele ressaltou que a base para encontrar uma fórmula de solucao pacífica é resolver as necessidades energéticas dos norte-coreanos.
"A energia é a maior preocupacao, porque repercute na questao humanitária e nas perspectivas de recuperacao da economia", enfatizou.
Afirmou que Coréia do Norte está disposta a normalizar suas relacoes com a comunidade internacional, pois se deu conta que suas ambicoes dependem de uma abertura economica interna e externa.
Do ponto de vista externo, ressaltou, pode-se perceber o potencial do mercado, com a comercializacao de diversos produtos como bananas, mangas e outras frutas tropicais.
Ainda assim, advertiu, os fundamentos da sua economia seguem sendo restritivos, o que nao permite ao país atrair os investimentos necessários para reconstruir a infra-estrutura e manter compromissos estrangeiros a longo prazo.
Para Strong, as negociacoes em Pequim sao "um passo a frente", pois todas as partes estao preparadas para um acordo, mas admitiu que a "desconfianca", fruto de meio século de confrontos, está dificultado o processo.
O governo de Pyongyang insiste que, como requisito básico, os EUA desistam de suas políticas hostis e que suspendam as medidas que impossibilitam a recuperacao economica do país asiático, como os embargos.
Na reuniao em Pequim, onde participam China, as duas Coréias, EUA, Japao e Rússia, o governo norte-coreano se comprometeu a interromper suas atividades nucleares em troca de uma compensacao financeira imediata.
Strong manifestou que, apesar dos EUA nao aceitarem esta exigencia, nao condenarao os outros países como China, Coréia do Sul e Japao, que já manifestaram sua disponibilidade em ajudar financeiramente os norte-corenanos.
"A crise da Coréia é a ressaca que ainda persiste da Guerra Fria (...). A Coréia do Norte deve paralisar as atividades para levar esta crise a um fim e para que nao volte a acontecer nunca mais", enfatizou.
Concluiu que o papel da ONU, da qual a Coréia do Norte faz parte, é crucial e que será ainda mais na medida em que avanca o processo para uma solucao pacífica, enquanto se procura um financiamento para o desenvolvimento do país asiático.