O plano voluntário de redução de desmatamento apresentado pelo Brasil em Nairobi é "insuficiente" para compensar a parcela de responsabilidade do país no aquecimento global, disseram organizações ambientais que acompanharam a elaboração da proposta.
- O Brasil precisa parar de basear seus argumentos em contribuições históricas, e olhar para frente -, disse um relatório do Greenpeace.
Já o coordenador de Políticas Públicas da organização WWF, Mauro Armelin, ressaltou que o estabelecimento de metas de redução do desflorestamento - discussão que o país evita - tornaria mais robusto plano do país.
Nesta quarta-feira a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o governo brasileiro já tem "compromissos internos" em relação ao desmatamento, e não aceitará pressões externas para adotar metas. A ministra, no entanto, não especificou quais seriam esses compromissos.
A idéia brasileira prevê a criação de um fundo voluntário - baseado em um "compromisso ético", segundo a ministra - em que países ricos contribuiriam com recursos financeiros para incentivar nações que reduzam o desmatamento.
Para surpresa de alguns, o plano apresentado pela ministra e pelo secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério, João Capobianco, foi recebido com aparente indiferença no plenário. Ao final da exposição, nenhum dos delegados dos mais de 180 países presentes à convenção quis fazer perguntas.
Organizações que encontraram um lado positivo na proposta brasileira ressaltaram que ela é um 'passo adiante' - nas palavras do Greenpeace - e um 'início de abertura' por parte do Brasil - termo usado pelo representante da organização Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês) - no sentido de aceitar pelo menos a discussão internacional do problema.
ONGs criticam plano brasileiro contra desmatamento
Quinta, 16 de Novembro de 2006 às 13:35, por: CdB