Entre os candidatos ao prêmio de protesto Motossera de ouro para o desmatamento da floresta tropical, que a organização Greenpeace concede no Brasil nesta segunda-feira, encontra-se, ao lado do presidente Luís Inácio Lula da Silva, um nome que causa polêmica também na Alemanha. Trata-se de Blairo Maggi, governador do Mato Grosso e dono do grupo Maggi, considerado um dos maiores produtores de soja do mundo.
- O governador é campeão absoluto de desmatamento, responsável por 48% do total destruído em 2003-2004 - dispara o ecologista gaúcho Antônio Andrioli, que atualmente escreve na Universidade de Osnabrück, na Alemanha, tese sobre a expansão do cultivo de soja transgênica no Brasil.
O Banco WestLB concedeu financiamento a Blairo Maggi, governador do Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo. Para ambientalistas, ele é "campeão do desmatamento"; para o banco, um sojicultor exemplar.
O motivo da crítica e também da nomeação de Maggi ao prêmio do Greenpeace são os dados divulgados recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente em Brasília, segundo os quais de agosto de 2003 a agosto de 2004 foram destruídos 26.130 km2 de florestas no país. É o segundo maior índice de desmatamento da história - o maior, de 29 mil km2, foi em 1995.
O Mato Grosso é o Estado mais atingido, com 12.586 km2 desmatados, cerca de 20% a mais que em 2002. A soja é atualmente o principal produto de exportação do Brasil, rendeu US$ 8 bilhões em divisas ao país em 2004. A União Européia importa anualmente cerca de 20 milhões de toneladas de soja em grão e em torno de 21 milhões de toneladas de farelo de soja. Segundo o ambientalista Andrioli, só a Alemanha importa cerca de três milhões de toneladas de farelo de soja por ano, a maior parte do Brasil.
Informações publicadas no site da ONG Rios Vivos, em 2004, citam que o Internacional Finance Corporation, que administra os créditos privados do Banco Mundial, viabilizou mais um financiamento de US$ 230 milhões ao grupo Amaggi. O dinheiro teria sido disponibilizado por um consórcio de bancos liderado pelo Rabobank, da Holanda.
- É contraditório o discurso do governo alemão no que se refere à sua responsabilidade social e ambiental com os países pobres, quando há instituições alemãs e dinheiro público contribuindo para o aprodundamento da destruição da natureza no Brasil - contesta Andrioli.