O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), lançou, em relatório anual, que os profissionais da área "são alvos freqüentes de políticos corruptos, criminosos e traficantes de drogas". Esta ONG avalia as condições de trabalho de jornalistas de todo o mundo.
Já as tensões entre o governo e a imprensa são ressaltadas, segundo o documento, pela lei que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou aprovar no ano passado para regular a imprensa (com a criação do Conselho Nacional de Jornalismo) e pela tentativa de expulsão do correspondente do jornal americano The New York Times Larry Rohter.
O relatório afirma que 2004 foi o ano em que mais morreram jornalistas por causa de sua atividade na última década - um total de 56 profissionais perderam a vida em todo o mundo enquanto estavam trabalhando.
Este número só inclui as mortes que o CPJ considera que não há dúvida que ocorreram durante o desempenho da profissão. Uma delas aconteceu no Brasil, a do radialista José Carlos Araújo, de Timbaúba (PE).
Em seu capítulo referente às Américas, o relatório diz que, "apesar da expansão da democracia na região, a liberdade de imprensa nem sempre melhorou como conseqüência".
O CPJ diz que em alguns países o trabalho dos jornalistas é prejudicado pela fraqueza do Estado - como no Brasil, onde isso torna os profissionais vulneráveis à ação de traficantes de drogas.
Em outros, porém, ocorre o contrário. É o caso de Cuba, onde "o governo continuou a intimidar jornalistas e suas famílias em 2004".
O país onde o trabalho dos jornalistas foi mais perigoso em 2004, segundo o relatório, foi o Iraque.
O CPJ também demonstra preocupação sobre o que considera ser a deterioração das condições de trabalho para a imprensa nos países da antiga União Soviética e diz que a China foi o país que mais colocou jornalistas na prisão no ano passado.