Rio de Janeiro, 08 de Fevereiro de 2026

Ong francesa opina sobre decisão interna do PT

Secretário-geral da organização não governamental Repórteres Sem Fronteira (RSF), com sede em Paris, França, o jornalista Robert Ménard enviou carta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, na qual externa sua preocupação quanto a uma série de atos e atitudes a serem desencadeadas contra os maiores diários brasileiros, todos com orientação de direita, a partir de uma decisão do partido no governo, o PT. (Leia Mais)

Quinta, 02 de Agosto de 2007 às 10:28, por: CdB

Secretário-geral da organização não governamental Repórteres Sem Fronteira (RSF), com sede em Paris, França, o jornalista Robert Ménard enviou carta ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, na qual externa sua preocupação quanto a uma série de atos e atitudes a serem desencadeadas contra os maiores diários brasileiros, todos com orientação de direita, a partir de uma decisão do partido no governo, o PT. A decisão foi tomada durante encontro da Executiva Nacional da legenda, nesta quarta-feira, em São Paulo.

Integrantes da Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovaram a convocação dos militantes, detentores de mandatos públicos e instâncias partidárias a lutar contra o que consideram a “mais nova ofensiva da direita, articulada com setores da mídia, contra o PT e o governo Lula”. Segundo declarações do secretário de Comunicação Social do partido, Gléber Naine, a onda de oposição é liderada pela TV Globo e os jornais Correio Braziliense, O Estado de S. Paulo, O Globo e Folha de S. Paulo.

- Você tem no Brasil a Rede Globo e outros canais. Tem também O Globo, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e Estadão. Esses veículos nunca fizeram antes oposição a um governo como fazem agora - disse Naine a jornalistas.

Segundo a resolução aprovada pela executiva do partido, a campanha de 2008 “já começou” e o resultado são os seguidos ataques na imprensa.

- A grande mídia privada é, ao mesmo tempo, instrumento e Estado-Maior desta campanha. Ou seja: não houve uma alteração no comportamento de grande parte da mídia privada, que repete agora o que já havia feito em 2004-2005 - disse o secretário.

Leia, na íntegra, a carta dos Repórteres Sem Fronteira

Uma decisão infeliz do partido do governo fustiga a mídia privada.
Repórteres Sem Fronteira faz apelo ao presidente Lula e ao presidente do PT

Exmºs Srs.

Luís Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, e Ricardo Berzoini, presidente do Partido dos Trabalhadores

Repórteres sem Fronteiras manifesta sua preocupação sobre as conseqüências da decisão adotada no dia 31 de julho pela Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), convocando detentores de mandatos públicos à mobilização contra uma "grande ofensiva da direita aliada a certos setores da mídia contra o PT e o governo do presidente Lula", fundador do partido. Gléber Naine, responsável pela comunicação do PT, destacou o canal de televisão privado TV Globo e os diários Correio Braziliense, O Estado de São Paulo, O Globo e Folha de São Paulo como veículos que "nunca fizeram antes oposição a um governo como o fazem agora".

Esta decisão nos parece inoportuna e sem fundamento. De um lado, se é verdade que a mídia privada do país não poupou críticas ao presidente Lula e seu governo quando de sua chegada ao poder, a relação entre o governo federal e a imprensa evoluiu de forma favorável desde então. Por outro lado, os veículos citados não deixaram de criticar representantes dos partidos de oposição citados em casos de corrupção, abuso de poder e fraude.

É nosso dever lembrar, contudo, que a revelação, às vésperas das eleições de outubro de 2006, de um escândalo envolvendo membros do PT - que tentaram comprar um falso dossiê contendo acusações contra candidatos de oposição - provocou a reação de militantes do partido contra a imprensa. Na ocasião, os demais partidos representados no Congresso que tomaram parte nessas manifestações também tiveram parte na responsabilidade pelas agressões dirigidas contra a mídia, para as quais não servem de justificativa as alianças políticas vigentes.

A resolução que o PT acaba de aprovar ocorre poucos dias após a ampla cobertura pela mídia das manifestações que se seguiram após a catástrofe aérea no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia

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