Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Ong e Governo alfabetizam 165 mil adultos em seis meses

Quarta, 03 de Março de 2004 às 07:21, por: CdB

Uma parceria entre o governo brasileiro e a ONG internacional Alfabetização através da Literatura (Alfalit), na execução do programa Brasil Alfabetizado, viabilizou a formação de 165.078 jovens e adultos acima de 15 anos durante seis meses, em 14 estados do país. O trabalho triplicou desde que o Ministério da Educação passou a pagar pelo trabalho dos antigos voluntários da ONG. A meta nacional é ensinar mais duzentas mil pessoas a ler e escrever este ano. A prioridade é incluir municípios que já integram o programa Fome Zero, como já ocorre nos estados do Ceará e Piauí.

O foco do programa é a comunidade de baixíssima ou nenhuma renda, dos nove estados do nordeste brasileiro, além de Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás. Os nove mil alfabetizadores do programa, na maioria universitários que moram na comunidade de baixa renda onde atuam, recebem mensalmente R$ 15 por aluno e participam de capacitação contínua. No Ceará, 19 mil adultos receberam o certificado de conclusão, em 12 municípios, incluindo a capital, Fortaleza. "Nos próximos meses alcançaremos mais 25 mil pessoas, no mínimo, mas esperamos expandir o programa para todos os municípios do Estado", disse a coordenadora da Alfalit no Ceará, Enaide Pereira Lima.

Depois de ultrapassar a meta de 155 mil alunos no último semestre, a Alfalit e o Ministério da Educação concordam que o trabalho deverá ser uma peça-chave no programa Fome Zero. "Se ensinamos uma pessoa a ler e ela não usa o que aprendeu, vira analfabeto funcional. Se ela faz parte do Fome Zero, fará curso profissionalizante e participará de um programa de geração de renda. Quer dizer, não basta amenizarmos a fome, temos que capacitar para o trabalho. Por isso o secretário de Alfabetização e Inclusão Ricardo Henriques já anunciou a prioridade de inclusão de municípios que integram o Fome Zero, a partir de experiências bem sucedidas no Ceará e no Piauí" disse a diretora do Departamento de Educação da Alfalit no Brasil, Suely Lima Chaves.

Antes da parceria com o MEC, a ONG havia alfabetizado 103 mil pessoas em sete anos, apenas com voluntários. Até o final de abril, mais 120 mil alunos deverão receber o certificado de alfabetização. "É claro que temos casos de fracasso, mas é uma minoria. A evasão dos alunos é inferior a 5%. São gratificantes exemplos como o de uma senhora analfabeta que tirava xerox em Goiás, participou do programa e foi promovida a auxiliar administrativa, dobrando seu salário", cita. Segundo Suely Chaves, uma das principais dificuldades do programa é a descrença das instituições e das comunidades que já participaram de projetos de alfabetização de governos anteriores, que caíram no descrédito e não foram concluídos.

A metodologia usada pela Alfalit é a mesma do americano Frank Charles Laubach, que erradicou o analfabetismo nas Filipinas em 15 anos, a partir de 1915, e participou da primeira campanha contra o analfabetismo no Brasil, em 1947. Mas a ONG só foi criada há 40 anos, em Cuba e chegou ao Brasil em 85. É uma organização cristã, com renda proveniente da venda de materiais religiosos, da entidade filantrópica sueca "La Carmecione" e da parceria com instituições públicas e privadas.

Hoje, a Alfalit atua em 20 países da América Latina e da África e está presente nos 23 estados brasileiros. O projeto de alfabetização de jovens e adultos com maior número de alunos do Brasil é o do Maranhão, com 39 mil inscritos. O governo brasileiro contribui com a bolsa-salário mensal do alfabetizador (R$ 15 por aluno), além da capacitação inicial do professor (R$ 20 para curso de 40 horas/aula) e da capacitação contínua (R$ 60 por alfabetizador). A metodologia e o material didático repassados pela ONG se baseiam no cotidiano de cada comunidade. "Em julho, realizaremos exposições estaduais e nacionais com o que foi produzido pelos alunos e será publicado um livro com os textos dos jovens e adultos alfabetizados", informa a diretora de educação da Alfal

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