O assessor de Políticas Comunitárias da ONG Viva Rio, Carlos Costa, disse nesta sexta-feira que o "remédio amargo" da ocupação do Complexo do Alemão [conforme classificou o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame] não irá resolver o problema do tráfico no local. Segundo ele, "anos de abandono e permissividade do estado não podem ser apagados de forma imediata".
Em entrevista à Rádio Nacional do Rio, Costa classificou o processo de ocupação como traumático, com a morte de várias pessoas.
- Não adianta a polícia exaltar que foram apreendidas 'x' metralhadoras ponto 30, de alto grau de destruição, ou não sei quantos fuzis, quando 19 pessoas são mortas. Você não tem essa garantia de que eram todos bandidos -, alertou.
A presença do poder público com "medidas constantes de devolução da cidadania plena, de órgãos de ouvidoria e da participação de toda a sociedade" foram consideradas como essenciais para a "retomada" das favelas do Alemão pelo estado, na avaliação do assessor do Viva Rio.
- A ocupação na favela acaba tornando os moradores os reféns da história. As pessoas precisam ser preservadas. Não dá para dizer 'é tudo marginal, tem que morrer mesmo!'. E também é preciso pensar nos policias, que acabam arriscando muito as suas vidas em ocupações como essa. A sociedade tem que se envolver. Não dá também para ficar só criticando a polícia -, disse.
O Complexo do Alemão é formado por várias favelas localizadas em cinco bairros da zona norte do Rio. O local está ocupado por policias há quase dois meses. Nesta quarta-feira, 13 pessoas, acusadas pelos policias de serem integrantes do tráfico, foram mortas num dos maiores confrontos desde o início da ocupação.
Outras seis pessoas morreram e foram deixadas dentro de um carro em frente a um hospital na Penha, na zona norte. A polícia ainda está investigando se elas têm algum envolvimento com o tráfico de drogas.
ONG diz que só operações policiais não vão resolver problemas no Complexo do Alemão
Sexta, 29 de Junho de 2007 às 14:11, por: CdB