Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

ONG diverge de relatório da FAO sobre número de famintos no Brasil

Quarta, 26 de Novembro de 2003 às 15:02, por: CdB

O coordenador nacional da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, Maurício Andrade, questionou nesta quarta-feira o relatório da Organização para Alimentos e Agricultura da Onu (FAO). O relatório aponta a redução dos números de famintos no Brasil de 18,6 milhões para 15,6 milhões no período de 1999 a 2001, período em que o número de miseráveis aumentou no mundo.

A ONG Ação da Cidadania foi criada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, na década de 80. Maurício Andrade solicitará, por meio de ofício, que a FAO informe em qual indicador ou pesquisa se baseou para elaborar o relatório. Espera com isso esclarecer alguns números desencontrados. Uma pesquisa realizada pela Ação, em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc) registra um total de 50 milhões de pessoas na em situação de miséria no Brasil.

Coordenado pelo professor Marcelo Nery, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e divulgado há um mês, esse estudo classifica como miseráveis pessoas que recebem menos de R$ 79,00 por mês. Segundo Maurício, o Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômico afirma que (Dieese), no Rio de Janeiro, são necessários R$ 130,00 mensais para uma pessoa se alimentar adequadamente e comprar uma cesta básica. -É uma demagogia fazer manipulação de dados estatísticos para definir a condições de um mínimo de qualidade de vida para o ser humano. Seja ele do Brasil ou de qualquer outro país - afirmou.

Para ele, o relatório da FAO tem dois pontos que devem ser trabalhados distintamente. O primeiro é que, de fato, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, ao assumir o combate à fome como prioridade do seu governo, criou uma referência não só interna, mas de nível mundial. "A gente tem poucos estadistas e poucos presidentes preocupados com a questão da fome em termos de prioridade política".

Quanto ao segundo ponto, que trata da redução do número de famintos, Maurício Andrade garante que as contradições não podem o compromisso do presidente da República em gerar transformações no processo de inclusão no Brasil. - Os dois grandes anúncios feitos recentemente: a unificação das políticas de transferência de renda, com a criação do bolsa-família e o Plano Nacional de Reforma Agrária, com compromisso do assentamento de 500 mil produtores, são medidas que podem contribuir para um processo de inclusão e para a diminuição da fome no Brasil - assegurou.

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