Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

ONG alerta que Angra 3 pode causar prejuízos ao país

Quarta, 26 de Março de 2008 às 06:29, por: CdB

Ativistas do Greenpeace instalaram 21 privadas pintadas de amarelo e preto na entrada da sede da Eletrobrás, no Rio de Janeiro, para protestar contra a decisão do governo Lula de desperdiçar bilhões de reais na construção da usina nuclear Angra 3. Manifestantes representando funcionários da estatal depositaram moedas gigantes nas latrinas para ilustrar o mau uso do dinheiro público em investimentos com energia nuclear.
 
A manifestação marcou a divulgação de um novo relatório do Greenpeace chamado Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear. O estudo técnico-econômico que serviu como base para o relatório é de autoria da equipe de pesquisadores liderada pelo professor Miguel Edgar Morales Udaeta, vinculado ao Instituto de Energia Elétrica (IEE) e ao Grupo de Energia do Departamento de Energia e Automação Elétricas da Escola Politécnica da USP.
 
O grupo de pesquisadores atualizou os valores dispostos em estudo da Eletrobrás de 2001 – Geração Termonuclear -, analisou os números adotados para compor a tarifa de comercialização da energia gerada por Angra 3, checando a veracidade dos cálculos, e apresentou diferentes cenários de custos e performances financeiras do empreendimento a partir das informações oficiais do governo.

Segundo o Greenpeace, o relatório revelou que Angra 3 custará, além dos R$ 7,2 bilhões oficialmente divulgados pelo governo, pelo menos mais R$ 2,372 bilhões por conta dos juros sobre o capital imobilizado para a obra. O detalhamento dos números mostrou que o governo, para obter a tarifa de R$ 138, 20/MWh para a energia gerada por Angra 3, aplicou taxas de retorno para o investimento entre 8% e 10%, muito abaixo da prática de mercado (12% a 18%), transferindo o prejuízo para o Tesouro Nacional.
 
Ainda de acordo com o Greenpeace, as baixas taxas de retorno assumidas para o projeto podem acarretar perdas financeiras médias de até R$ 4 bilhões, valor dos subsídios não declarados de Angra 3.

Caso o governo aplicasse uma taxa de retorno de 12% - ou a mínima praticada pelo mercado - a tarifa de Angra 3 chegaria aos R$ 152/MWh, valor acima dos índices considerados competitivos pelo próprio Ministério de Minas e Energia. Já se fossem praticadas as mesmas taxas aplicadas a projetos de energias renováveis (18% a.a), a tarifa da energia nuclear ultrapassaria os R$ 161/MWh.

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